Uma casa referencial

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Foi na Goiás das melhores e perenes memórias da infância que a designer de joias Adeguimar Arantes ergueu a casa que tem tudo a ver com o modo de vida pelo qual optou há mais de 30 anos e se mostrou essencial para seu processo criativo. A cem quilômetros da turística Caldas Novas, a autenticamente goiana Nova Aurora devolveu à joalheira uma experiência que é privilégio de poucos. Ali, os moradores valorizam e praticam o conceito de solidariedade e são guardiões de uma cultura cada vez mais escassa.

Na casa erguida pouco a pouco a partir da cuidadosa desconstrução de uma antiga tapera, a maior parte do material é de reaproveitamento. As madeiras originais, as portas e portais, os janelões, os grandes tijolos de olarias regionais, as telhas em que o nome Goiás é escrito com Y e Z, todo esse tesouro histórico da propriedade original foi reutilizado. No acabamento, a designer e o marido recorreram a materiais guardados pela família há tempos. O surpreendente resultado vai além da redução de cerca de 40% de material. “A maior vantagem do projeto é a imensa economia de recursos naturais, pois imagine quanto se demandaria do solo para produzir toda a madeira utilizada, a quantidade de argila e lenha para queima dos tijolos, os milhões de litros de água exigidos, normalmente vindos da cada vez mais escassa água doce, o desmatamento do cerrado”, avalia a empreendedora.
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A casa de conceito verde surge de muita pesquisa e empenho. Depois de optar por Nova Aurora, cidade de 2 mil habitantes cujo modo de vida guarda a essência do interior de um estado pródigo em recursos naturais, Adeguimar pesquisou a arquitetura e história locais. A riqueza encontrada surpreendeu a designer. Com a colaboração de um engenheiro, a morada onde o canto dos pássaros é uma sinfonia diuturna foi brotando. E logo virou ponto de interesse. Gente que tinha tijolos encostados, madeiras sem uso, descobriu uma utilidade para o material.

“Os tesouros foram aparecendo, compramos e ganhamos tijolos das mesmas bitolas, portas, pedaços de portas que restauramos, telhas. O processo de feitio da casa por si só divulgou o projeto”, conta a joalheira. Entre as emoções vividas durante a construção, ela relembra o caso de um senhor idoso que por muitas vezes visitou as obras. Num determinado momento decidiu doar madeiras de aroeira de cerca de cem anos de sua fazenda. Para manter intacto o conceito adotado, Adeguimar e o marido optaram por deixar os fungos originais na cerca e criaram um portão de metal cujas linhas retas contrastam com as aroeiras bem esculpidas pelo tempo. O colorimetrista Ivan Almeida, que há 23 anos produz com amor cores únicas, desenvolveu uma tinta exclusiva para o projeto.

A casa de conceito verde tem atraído visitantes de outros Estados, interessados em conhecer o processo que privilegia o consumo responsável e a preservação cultural. Entre as muitas criações do casal está um vaso postado na entrada feito a partir da sucata de uma máquina de lavar, rejeito de um vizinho técnico de consertos. A novidade pegou, e muita gente encomendou as carcaças para transformá-las em adornos.

“O projeto ajudou a mudar o olhar sobre construções com material de reciclagem, reuso. As pessoas começam a enxergar a possibilidade de unir o contemporâneo ao antigo”, afirma Adeguimar. Feliz em seu pequeno paraíso, a designer usufrui de luxos raros, como fazer doces de goiabas graúdas colhidas no pé, ganhar frutas diversas dos vizinhos, refrescar-se com a brisa do córrego que passa ao lado e receber a visita de colibris.

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Acesse e conheça mais trabalhos da designer: www.adeguimararantes.com

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