Presidente Sinduscon: “Temos que quebrar a inércia”

 em Goiás

Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Goiás, Carlos Alberto Moura, levanta a bandeira do ‘construir consciente’

 

Por Roberta Brum

 

A indústria da construção é tradicionalmente uma das atividades humanas que mais consome recursos naturais. Estima-se internacionalmente que entre 40% e 75% deles são consumidos por esse setor. Só no Brasil, a construção gera cerca de 25% do total de resíduos da indústria, algo próximo de 100 milhões de toneladas. Foi jogando estes números na mesa que começamos a entrevista com o Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Goiás, Carlos Alberto Moura, há cerca de uma semana, em seu escritório no Setor Oeste.

Mas, ao invés de falar dos maus exemplos, Carlos se fixa nos bons e faz questão de dizer que é possível construir estatísticas bem diferentes: “Uma construtora goiana foi premiada por fazer uma incorporação de 15 andares e retirar durante toda a obra somente quatro caçambas de entulhos. O resto todo foi reaproveitado”, aponta ele.

Carlos explica que a gestão dos resíduos é viável economicamente, é sustentável e também um ótimo marketing para a empresa. “Nesta dinâmica, a empresa em questão economizou quase 500 mil reais com o reaproveitamento.”

Na gestão de Carlos Alberto o Sinduscon, que conta com 9827 empresas associadas em Goiás, começou uma série de iniciativas para incentivar boas práticas ambientais, como a organização do evento ECOS e a parceria com o programa Brasil Mata Viva. “A gente tem que tomar posições, não é possível ficar em cima do muro. Temos que quebrar a inércia”, defende com fervor. Para isso Carlos acredita que o primeiro passo é o aculturamento. “Temos que conseguir que as pessoas parem, pensem e participem de um planejamento estratégico. Precisamos encontrar uma maneira de que a sociedade se envolva e temos que buscar isso assumindo posições e fazendo parcerias pra tentar construir alguma coisa juntos”, convida. Ele relembra que o grande desafio é o de “formar fileira” porque de nada valem ações descoordenadas.

Mudar essa filosofia de jogar fora e a do desperdício e cultivar a de reaproveitar, reutilizar é uma tarefa complexa. A motivação deste pai caseiro e ‘homem de família’ está no futuro: “temos que ter um compromisso muito grande de como vamos deixar o nosso país para as gerações futuras. Goiânia precisa pensar Goiânia, precisa definir o que ela quer…. o que vamos comemorar em 2033 quando a cidade fizer 100 anos”, analisa.

Carlos Alberto percebe muita dificuldade e “uma certa inércia” do setor público em regulamentar as obrigações ambientais. Nós, então perguntamos como ele entende que deveria ser tratado legislativamente o tema. Para ele, leis de incentivo valem mais que obrigatoriedade: “IPTU verde, redução de imposto para quem está colaborando com o futuro. Este cara tem que ser incentivado e não penalizado. Este é o caminho”, exemplifica.

 

 

Patrimônio – Carlos Alberto aponta que o mundo está buscando uma maneira de que o meio ambiente seja encarado como um patrimônio, porém assume que o Brasil esta aquém no nível de consciência quando comparado aos países pioneiros na Europa. O presidente reconhece que evoluímos muito e rapidamente, entretanto pontua que há muito a ser feito.

Em Goiás já temos a empresa mais premiada em sustentabilidade no país -a Contato Engenharia – mas estas exceções estão longe de ser a maioria. A boa notícia, segundo Carlos Alberto, é que o empresariado está “comprando a ideia”! E também o consumidor. De acordo com a pesquisa realizada ano passado pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) as pessoas valorizam, e pagam mais, por uma casa sustentável.

Mas, pagar mais é um quesito muito relativo quando o assunto é sustentabilidade. A obra fica entre 5 a 7% mais cara na fase inicial, entretanto na manutenção ela ultrapassa em benefício. Isso porque cerca de 80% do custo de uma edificação está na fase de uso e manutenção. Entre as soluções simples de serem adotadas estão a redução do consumo de energia e água e o aumento da absorção da água de chuva.

 

Futuro – Para o setor os três primeiros trimestres serão momentos muito difíceis, como prevê o presidente, por uma questão macroeconômica. “Mas acredito que vamos ter uma recuperação em seguida pela característica do Brasil que ainda necessita muito de infraestrutura, de habitação; o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ que tem que ter continuidade.”

Olhando para Goiás ele diz que o estado está muito bem, com o PIB acima da média nacional, o que fez o setor ter um desempenho melhor que na maioria dos estados, mantendo a velocidade de venda.

Ele revela que as maiores tendências são o foco nos projetos de média e baixa renda, apesar de que o alto padrão também possa crescer com menos intensidade. Os lofts e flats, uma aposta nas metrópoles também cresce em Goiânia, assim como os prédios sustentáveis.

 

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