Semarh participa da Conferência Nacional de Mudanças Climáticas

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Conferência Nacional sobre o tema busca consenso entre pesquisadores

A Semarh participa da I Conferencia Nacional de Mudanças Climáticas Globais, em São Paulo. O evento apresenta os primeiros resultados de um esforço científico nacional em matéria de mudanças climáticas, consolidados com a apresentação, do Primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN), produzido pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) – o correspondente nacional ao IPCC da ONU) – que foi criado há 3 anos.

O primeiro RAN tem três volumes,  resultado dos esforços de três grupos de trabalho temáticos dentro do Painel, que dão uma sequência lógica à construção do conhecimento científico brasileiro sobre a matéria.

O primeiro volume, intitulado Base Científica das Mudanças Climáticas (GT 1), traz uma reunião e o levantamento do estado da arte das pesquisas brasileiras que identificam as mudanças climáticas globais como um fato científico,  e busca formalizar a opinião científica institucional brasileira (e não mais apenas de cientistas isolados) como consenso de base para o desenvolvimento de mais pesquisas e de políticas publicas voltadas para o tema, identificando lacunas e necessidades de abordagem. É importante frisar que este consenso não significa a unanimidade entre os cientistas brasileiros afeitos à climatologia e áreas afins, mas que a reunião de 98 pesquisadores brasileiros de diversas áreas para laborar sobre o tema, sendo eles de lastro e renome institucional, serve de respaldo aos resultados dos trabalhos do Painel. Como principais resultados, há um cenário de aumento de temperatura para todo o Brasil com algumas variações regionais.

A pluviometria reduz para o País todo e se concentra num período mais curto do ano, sendo que exceção é o aumento suave de pluviometria para o sul do País. Mas aumenta a ocorrência geral de enchentes associadas aos eventos pluviométricos, o que não se observava até a década de 70.

O segundo volume – Impactos, vulnerabilidade e adaptação (GT 2) – identifica cientificamente o que já era pontual e empiricamente observável: o aumento da frequência de eventos extremos de temperatura (calor e frio) e de pluviometria / seca, atingindo com mais força a população de baixa renda, isto é, mais vulnerável aos impactos das mudanças climáticas globais, e também identifica a vulnerabilidade de sistemas produtivos e de ecossistemas.

O terceiro volume – Mitigação das Mudanças Climáticas (GT 3) – identifica a evolução do perfil de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) brasileiro por setores (os quais estão identificados na Lei da Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e são alvo dos chamados Planos Setoriais. Considerando que o Brasil lançou dois inventários nacionais de emissões, e está elaborando o terceiro, houve um comparativo entre os anos de 2005 e 2010, em que se percebe uma redução significativa de emissões nacionais por desmatamento, que nos fez alcançar mais de 100% de nossa meta de redução voluntaria apenas com a política de redução e combate ao desmatamento na Amazônia (PPCDAm) – um dos planos setoriais da PNMC -, e altera o perfil de emissões de modo que hoje há maior peso de emissões geradas no setor agropecuário, embora haja políticas voltadas para a redução de emissões desse setor também em pleno andamento. Os setores de energia e transporte também passaram mudanças significativas em sua participação, mas sofrem de desconexão política no âmbito das decisões institucionais. Uma das conclusões é que a mitigação das emissões deve ser pensada sob duas ópticas: a dos padrões de produção e a dos padrões de consumo.

Além desses relatórios, foi mostrado o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM, em inglês), que é um sistema de modelagens computacionais brasileiro que reúne os vários níveis de informação do sistema terrestre para se conseguir realizar uma modelagem do sistema climático global, mas de forma a permitir a inserção de dados e estudos adequados a representar a realidade do comportamento climático brasileiro – na verdade, da América do Sul. Este foi a abertura do evento de hoje, e levou em consideração os temas “atmosfera”, “oceanos”, “superfície (terrestre)” e química atmosférica.

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