Riscos contemporâneos

 em Comportamento, Sustentabilidade

Por Silvio Quirino, Especialista em Sustentabilidade e Gestão Urbana

“A sociedade de risco, não está limitada somente aos riscos de saúde e ambientais – inclui toda uma série de mudanças inter-relacionadas dentro da vida social contemporânea: mudanças nos modelos de emprego, aumento da insegurança no trabalho, declínio da influência da tradição e do costume sobre a auto identidade, o desgaste dos paradigmas familiares tradicionais e a democratização dos relacionamentos pessoais” [ Ulrich Beck].

Muitas mudanças geradas pela globalização são apresentadas como novas formas de risco que diferem daquelas que existiam antigamente (riscos externos – secas, terremotos, escassez, tempestades, entre outros). Hoje os riscos são incalculáveis na origem e indeterminados nas suas consequências (alguns chamam de riscos invisíveis, como por exemplo, os vírus eletrônicos).

Os riscos da atualidade afetam todos os países e todas as classes sociais – suas consequências são globais -, o que leva à conclusão de que o risco é uma das principais consequências da globalização e do avanço tecnológico, e que a globalização traz problemas ambientais crescentes e o aumento das desigualdades em razão da concentração da renda, riqueza e recursos em um pequeno núcleo de países desenvolvidos.

Entretanto, embora haja concentração da riqueza e aumento da desigualdade econômica, os efeitos sobre o meio ambiente, causados pelo crescimento econômico, são divididos entre todas as pessoas de todos os países – ideia de privatização dos lucros e socialização das perdas.

Assim, é necessário que o comércio global seja regulado por regras que visem a proteção dos direitos humanos, do meio ambiente, dos direitos do trabalho e das economias locais. É preciso assegurar que a globalização beneficie as pessoas em todos os lugares (governança global), não apenas as que estão em alguns locais privilegiados, e que incorporem não apenas benefícios econômicos, mas também benefícios sociais e ambientais, internalizando a definição de desenvolvimento sustentável.

A efetivação de práticas visando o desenvolvimento sustentável (com harmonização de objetivos sociais, ambientais e econômicos) significa e implicam num processo de mudança de valores de toda a sociedade – governos, empresas, cidadãos (consumidores), que deve ser avaliada sob a perspectiva da globalização e da magnitude dos impactos causados pelas decisões e avanços tecnológicos da sociedade atual (sociedade de riscos).

O aquecimento global, o desenvolvimento de novas doenças, a discussão sobre a comida geneticamente modificada e outros riscos manufaturados colocam os indivíduos perante novas escolhas e desafios de suas vidas quotidianas. Assim, por não haver um mapa sobre os novos perigos (o que dificulta o controle dos riscos ambientais), os indivíduos, os países e as organizações transnacionais devem negociar riscos à medida que fazem escolhas – decisões sobre quais riscos se está preparado a assumir.

A maioria das questões referentes ao meio ambiente está relacionadas com o risco, e são resultado da expansão da ciência e da tecnologia.

A união para uma caminhar ecologicamente correto e sustentável necessita da junção dos “atores sociais”. O poder público, econômico e social, representados por seus governos, indústrias das mais variadas, cientistas e o terceiro setor como ONG’s e movimentos sociais. Todos estes dentro de suas respectivas funções e alcance devem exercer influências positivas no meio ambiente e na qualidade de vida dos cidadãos.

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