Relatório prevê aumento da temperatura no RJ e SP em 65 anos

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Dentro de 65 anos, o Rio de Janeiro pode enfrentar aumento de 3,4°C na temperatura, com elevação de 82 cm no nível do mar e de até 6% no volume de chuvas. A cidade de São Paulo pode ficar 3,9°C mais quente e ter até 13% mais precipitação. As previsões para o futuro com relação a mudanças climáticas são temas do levantamento “Segundo Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas nas Cidades”, elaborado por 120 cientistas da Rede Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas (Urban Climate Change Research Network – UCCRN).

Com divulgação integral marcada para o final de novembro durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21), em Paris, o documento teve dados divulgados antecipadamente nesta terça-feira (13), durante o lançamento do Núcleo da UCCRN na América latina (UCCRN-AL), que tem como sede o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Liderada por pesquisadores do IOC e do Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Coppe-UFRJ (Centro Clima/Coppe-UFRJ), a iniciativa é a segunda do tipo no mundo. Criada em 2007, a UCCRN reúne mais de 600 cientistas em 150 cidades. Em julho, a rede lançou seu primeiro núcleo regional, em Paris, na França. Agora, o projeto chega à América Latina, com base no Rio de Janeiro.

“Esperamos que essa parceria seja frutífera não apenas para os pesquisadores, mas, principalmente, para as nossas cidades. Na América Latina, temos uma densidade populacional muito grande e realidades muito diferentes. Por isso, é importante realizarmos estudos específicos sobre os impactos das mudanças climáticas aqui”, disse a pesquisadora do IOC Martha Barata, especialista em impactos do clima sobre a saúde.

Responsável por coordenar o Núcleo da UCCRN na América Latina, ela lembra que a Cidade do México, com cerca de 21 milhões de habitantes, e São Paulo, com aproximadamente 20 milhões, estão entre as maiores metrópoles do planeta.

A importância da atuação da rede na América Latina também foi destacada pela cientista norte-americana Cynthia Rosenzweig, uma das diretoras globais da UCCRN. Ela afirmou que mais da metade da população mundial já vive em cidades e esse número deve chegar a dois terços nas próximas décadas.

Ao mesmo tempo, as áreas urbanas são responsáveis por 67% das emissões de gases do efeito estufa e devem sofrer graves impactos com o aquecimento global. “Não é mais suficiente apenas escrever relatórios que terminam em prateleiras e nunca mais são lidos. Estamos criando os núcleos regionais para que essas informações sejam partilhadas em uma via de mão dupla com os tomadores de decisões que realmente vão utilizá-las”, declarou.

Foco nas cidades

Segundo Cynthia, o estudo mostra que, até 2080, a temperatura deve subir entre 1°C e 4°C nas cerca de cem cidades estudadas em diferentes regiões do planeta. Além de dados atualizados sobre as previsões de mudanças climáticas nas cidades, o documento aborda temas fundamentais para as ações contra o problema, incluindo riscos de desastres, planejamento urbano, estratégias de mitigação e adaptação, questões econômicas e de governança.

A importância das áreas verdes nas cidades é detalhada em outro capítulo do relatório, que trata dos ecossistemas urbanos. Uma das autoras do texto, a paisagista Cecilia Herzog, professora da PUC-Rio, explica que pesquisas demonstram a importância de investir na chamada infraestrutura verde.

“A vegetação ajuda a reduzir o calor, protege contra deslizamentos e enchentes, absorve água da chuva e capta gás carbônico, que contribui para o efeito estufa”, enumerou ela, que também apresentou exemplos de ações bem-sucedidas. “Em Nova York, foi executado um projeto de reflorestamento das margens dos rios que abastecem a cidade, melhorando a qualidade da água consumida”, exemplificou.

via Portal Brasil

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