Crise hídrica: reflorestamento de nascentes ganha pautas municipais

 em Goiás
Devido ao cuidado com nascentes e esforço da população, o rio das Almas corre com águas límpidas dentro de Pirenópolis. Foto: UOL

Devido ao cuidado com nascentes e esforço da população, o rio das Almas corre com águas límpidas dentro de Pirenópolis. Foto: UOL

Via UOL

Principal estância turística no eixo Brasília-Goiânia, a pequena Pirenópolis (GO) tomou iniciativa fundamental em tempos de crise hídrica. A Secretaria de Meio Ambiente iniciou ontem reflorestamento de nascentes e monitoramento com limpeza permanente do rio das Almas, que corta a cidade – que tem águas límpidas no percurso urbano, diante do esforço da população para preservar o maior tesouro natural às portas de casa.

A partir de segunda-feira, a secretaria vai bloquear a encanação de esgoto de todas as residências ou comércio com rede clandestina. A cidade vai ganhar também cinco pontos voluntários de coleta seletiva de lixo.

Nesta Semana da Água, todo o trabalho envolve a população com voluntários, em especial alunos da rede pública – que na sexta plantaram 25 mudas de várias espécies no entorno da nascente da Santa, a 40 km da cidade, na Serra dos Pireneus. A meta é plantar 400 mudas no entorno da nascente – e outras centenas em pelo menos dez nascentes da região.

À frente do grupo, o secretário Arthur Abreu carrega as mudas para o plantio. Foto: divulgação

O envolvimento da população tem sido significativo. “A importância deste evento é dar visibilidade as ações de Meio Ambiente no município, aproximando a sociedade do poder público, para juntos expandirmos a prática de sustentabilidade”, explica o secretário Arthur Abreu.

Nascente da Santa, em meio aos buritis ao fundo,que abastece a bacia da serra dos Pireneus e região: cerca em área de meio hectare para evitar entrada de animais, e 400 novas mudas.

PELO BRASIL

A iniciativa de consciência ambiental e envolvimento dos cidadãos de Pirenópolis felizmente não é única no Brasil, comemoram ambientalistas.

Desde 2007, quando foi lançado o programa Conservador de Águas, ganhou destaque entre ecologistas e imprensa especializada o pioneirismo da cidade de Extrema, no Sul de Minas Gerais. A prefeitura passou a pagar um auxílio mensal a donos de propriedades rurais para reflorestarem e preservarem as nascentes e margens de córregos e rios.

Mas pequenas iniciativas assim dão resultado a curto ou médio prazos?  Sim, e prova disso é que a bacia hidrográfica da região de Extrema é responsável por parte do abastecimento do sistema Cantareira, que agoniza desde o ano passado. O cenário poderia ser pior se não houvesse investimento nas nascentes.

Região serrana de Extrema (MG), com vista o rio Jaguari, que corta a cidade: reflorestamento foi fundamental para ajudar o sistema Cantareira. Foto: divulgação

Recentemente, uma pesquisa conjunta da Embrapa, CNPq e Unicamp apontou o problema do sistema Cantareira. Os especialistas descobriram que há um déficit de árvores de 34,5 mil hectares  na região da bacia (cada hectare é do tamanho de um campo de futebol). A situação é tão dramática que apenas 10% do topo de morro e das margens do sistema Cantareira têm mata nativa.

Programas pontuais surgem a toque de caixa. No Espírito Santo, o Programa Reflorestar financia o replantio de mudas nas zonas rurais, com crédito inicial de R$ 7 mil para o produtor – e seguido o cronograma, há um auxílio de R$ 200 por hectare por mês para a preservação.

NA EUROPA

O reflorestamento de margens e nascentes ganhou a atenção dos mandatários da região Sudeste só agora que a crise hídrica atinge São Paulo e região metropolitana, e outras capitais. É tema antigo na Europa e trabalhado seriamente em todas as gestões. A maioria dos rios que cortam as capitais europeias estão totalmente reflorestados em seu percurso rural. E isso os revigorou.

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