Quando o pedestre não tem vez

 em Destaque, Goiás

Apesar de parecer óbvio que cidades são feitas para as pessoas que nelas residem, não há nos espaços públicos locais preparados para oferecer a vivência ideal entre as pessoas e a cidade. “Apesar de ainda haver mais pessoas do que carros, não é essa a percepção que temos. A ocupação é muito maior por veículos e isso traz várias consequências, entre elas, o afastamento das pessoas.” A observação é de Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verdade, ONG especializada em projetos de planejamento urbano e mobilidade urbana. Ele esteve em Goiânia na semana passada, onde coordenou na manhã de sábado uma oficina sobre Urbanismo Caminhável dentro da 2ª Semana de Ecologia Urbana de Goiânia.

Paiva admite que o conceito de Urbanismo Caminhável é novo, mas defende a importância de se discutir o assunto. “As cidades são, na maioria das vezes, muito insensíveis à essas questões. Elas podem oferecer aos seus habitantes, oportunidades de gerir seu espaço para incentivar as relações comunitárias para fortalecer a conexão entre as pessoas.”

O presidente da ONG explica que urbanismo caminhável prevê que a cidade esteja preparada para dar condições para o cidadão faça seus trajetos diários à pé e se sinta bem com isso. Deve-se fazer, portanto, adequação de calçadas, análise de sinalização, ruídos, percepção subjetiva de pedestres, conforto climático e outros tópicos. “Um ponto importante é ouvir a população que já frequenta o local. É preciso ouvir dessas pessoas o que deve ser feito, implantado ou alterado para atender a necessidade nesse local.”

Para ele, Goiânia, assim como a maioria das cidades, ainda tem muito a fazer para atender ao que prevê o urbanismo caminhável. “Mas essa é uma tendência a ser seguida no mundo todo. Um estudo da George Washington University divulgou recentemente que as melhores cidades para viver nos EUA são aquelas que têm áreas onde as pessoas tem acesso a saúde, lazer, educação e trabalho andando a pé ou de bicicleta.”

Ele acrescenta que o mercado imobiliário entendeu esse conceito e as casas e empresas para se comprar ou alugar, tem maior valorização onde essa preocupação é maior. Segundo Paiva, o mesmo estudo observou que bairros centrais estão sendo revitalizados e há forte tendência de urbanização nos subúrbios. Para isso eles criaram uma metodologia de pontuação que leva em consideração densidade, transporte público, parques e áreas mistas. Essa mesma metodologia foi usada ontem de manhã nas ruas de Goiânia.

As melhores cidades, dentro do conceito de Urbanismo Caminhável, são aquelas onde a população depende menos de transporte individual ou público. “As pessoas estão conectadas na rede eletrônica, mas não estão conectadas com a sua cidade, elas não reconhecem as narrativas locais, não tem identidade com o espaço onde vivem, não são protagonistas no seu bairro ou cidade.”

via O Popular

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