O mundo vai comer cada vez melhor

 em Goiás +20

Por Roberta Brum, de Amsterdam

 

Comer saudável não é modinha passageira. A preocupação por uma alimentação menos prejudicial à saúde é uma macrotendência que vem se repetindo há anos em todo o mundo e que, segundo especialistas, não vai deixar de crescer tão cedo.

Este assunto chamou minha atenção numa entrevista exclusiva que tive com Christophe Barnouin, CEO da empresa holandesa Royal Wessanen. “Não sou eu tendo um sonho – porque é o meu negócio – que quero que esta tendência dure. É assim… tem sido uma tendência pelo últimos 20 anos e que está balançando toda a indústria atual da alimentação, principalmente no ocidente”.

A empresa que completa 250 anos no mercado de alimentação reestruturou todo o seu negócio para atender a esta tendência, focando só no que hoje chama de alimentos sustentáveis, naturais e saudáveis – o que inclui orgânicos, fair trade, e os “sem”, faturando mais de 450 milhões de euros.

“Cada vez mais as pessoas estão conscientes de o que elas comem tem grande impacto na saúde delas e no meio ambiente.” Ele aprofunda dizendo que na Inglaterra por exemplo, um dos mercados mais sofisticados do mundo neste segmento, as pessoas valorizam ainda mais o consumo responsável; produtos locais e de comércio justo.

A empresa está investindo fortemente no segmento “sem” onde os produtos são isentos de alguma substância, voltado às intolerâncias e dietas. Ele explica que existe um elemento de “moda” que tem parte nisso, como dietas específicas que se tornam famosas, mas frisa que a escolha fundamentada dos consumidores ainda é o maior responsável por este crescimento constante no consumo. “Durante os últimos 10 anos, todos os dias as pessoas se deparam com evidências de que o que comemos interfere na nossa saúde. Muita gente por exemplo começa a comer orgânico quando tem filhos.”

Preço

Estes produtos têm um preço diferenciado, numa média entre 20 a 30% mais caros que os tradicionais. Uma pesquisa do Euromonitor revela que mais da metade dos consumidores de alimentos saudáveis aprovam pagar mais por isso, principalmente entre os mais jovens.

Durante SNAXPO 2015, convenção anual do Snack Food Association realizada recentemente em Orlando foi apontado que a geração Millennial* está causando um abalo na indústria de salgadinhos e lanches.

Ainda de olho na pesquisa organizada pelo Euromonitor, ela revela que as tendências giram em torno de uma alimentação saudável, comida caseira, ingredientes gourmet, combinações de sabores inovadores, comida para levar e lanches como substituto de refeição.

É nestas tendências que os produtores estão se focando. A agricultura orgânica representa cerca 5,6% das terras agrícolas na UE, o que abrange quase 10 milhões de hectares (2012). O desenvolvimento sustentável de alimentos é fortemente influenciado por políticas agro-alimentares da UE e todo um novo pacote de medidas, bem polêmicas, foi colocado em prática para oferecer mais garantias aos consumidores deste nicho.

Brasil

Segundo previsões da pesquisa, a venda de produtos com redução de sal, açúcar e gordura deve crescer 6,9% na América Latina. Aponta ainda que o comércio será cada vez maior de alimentos “sem”, como os “sem glúten” e “sem lactose”, uma grande oportunidade que tem chamado a atenção de cada vez mais pessoas. A empresaria Andrezza Moraes, dona da empresa goiana Sattva Naturall, viu nas próprias restrições uma oportunidade de negócio. Ela explica que ao desenvolver uma intolerância ao trigo teve muita dificuldade em encontrar produtos saborosos que atendessem às suas necessidades. “Decidi largar o emprego e investir nesta empresa com a missão de garantir que bolos e pães pudessem continuar sendo irresistíveis mesmo livres de glúten, lactose e açúcar branco.”

 

*Millenials incluem aqueles que são 18 a 34, ter ultrapassado baby boomers nos números e têm seu próprio poder de compra.

 

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