“O material do ator é a gente mesmo. É como a gente entende a vida”

 em FICA

Camila Morgado reflete sobre o processo de criação do personagem durante o Fórum de Cinema no segundo dia do FICA

 

O encontro com a atriz Camila Morgado durante o Fórum de Cinema foi um dos pontos chaves da programação do segundo dia do FICA 2015. Na mesa, mediada por Lisandro Nogueira, estava ainda o cineasta Aluízio Abranches. A plateia cheia contou com os olhos e ouvidos atentos da secretaria Raquel Teixeira. O tema da vez era “A Construção do Personagem no Cinema, na TV e no Teatro”.

Durante sua intervenção ela enfatizou com paixão o processo de criação do personagem e a imensa contribuição do ator na formação do mesmo. “É uma linguagem pessoal. O material do ator é a gente mesmo. É como a gente entende a vida”, analisa.

Somada a esta visão pessoal cada personagem é construído com muito estudo. “Decorar texto eu acho um porre, agora o processo de pesquisa é o que eu mais gosto. É o momento em que você pode errar muito, pode testar o que quiser. A criatividade está borbulhando, sua cabeça e seus olhos não param. Observam tudo. É um mundo que se abre”, revela.

Para montar Olga – sua primeira personagem no cinema – Camila estudou intensamente a época e depois viajou por conta própria para Cuba. “Consegui ver algumas coisas e que aquele mundo existiu. Aí comecei a me preparar fisicamente. Aulas de alemão, de russo. Aprendi muita coisa”, relembra.

Camila se emprestou para Olga por um longo período. Depois da preparação, foram cinco meses no filme e dois meses e meio ensaiando. “Somente a cena da retirada da criança foi uma semana inteira rodando”, relembra. Ela conta que, ao não ter filhos, teve muita dificuldade em compor a maneira como entregaria a cena – até ver um vídeo da separação de uma leoa e seu filhote. “Vi que em momentos como este somos muito instinto; temos algo de animal. Cenas espontâneas como esta são as mais difíceis. Não tem que pensar. A gente estuda, estuda mas ai é quando entra a intuição; o jogo da cena”.

Camila acredita que buscar o espontâneo é difícil e que portanto o ator deve dominar a técnica e buscar uma verdade e que quanto menos ele “interpretar” mais perto dela vai estar.

Ela revela ainda que se apaixonou pelo personagem Olga, que sentiu uma saudade imensa e ficou muito triste com o final do trabalho. “Ai fui fazer terapia. Só assim fui me separando aos poucos e aceitando que as coisas acabam.”

Camila mergulhou em Olga imediatamente após deixar Manuela, a protagonista da minissérie A Casa das Sete Mulheres, sua primeira aparição na televisão. Até então só havia feito teatro. No encontro ela refletiu sobre as diferentes linguagens em cada uma das três mídias.

“O teatro tem muito do ator, é um trabalho muito artesanal. Pela diferença de perspectiva com o público, o ator se coloca de uma forma muita expressiva. No cinema o olho humano é a câmera e existe muita influência do diretor. A televisão é um folhetim que vai todo dia para a casa da pessoas; é uma linguagem mais simples e a interpretação também. Na verdade eu não sei se existe uma grande diferença entre os três, mas estas coisas influenciam muito.”

Camila Ribeiro da Silva decidiu-se cedo sobre o grande personagem de sua vida: ser atriz. Aos 17 anos começou a estudar na Casa das Artes de Laranjeiras. Tornou-se então Camila Morgado. Estreou no teatro em 1997, em 2003 fez seu primeiro papel na televisão e em 2004 rodou Olga – seu primeiro filme.

 

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