Medo, preconceito e hipocrisia no debate sobre a participação da sociedade na gestão do país

 em Goiás +20

Por Marcelo Safadi

 

O Brasil continua um país continental. E continental é a distância entre a necessidade de um debate sério e a histeria em torno das iniciativas de gestão compartilhada, proposta por vários governos.

O Brasil tem medo. Medo de melhorar. Prefere manter seus métodos e sistemas de gestão pública, que estão a anos-luz da boa gestão. Prefere manter um estado aparelhado e ineficiente, ao invés de profissionais bem remunerados fazendo bem feito.

O Brasil tem preconceito com a própria sociedade. Muitos de nós falamos mal de políticos e dos funcionários públicos, mas quando se propõe algo na direção da gestão privada dos serviços sociais e infra-estrutura, repudiamos.

No Brasil a hipocrisia reina: o mesmo cara que acusa o Governo do Estado na gestão das OS em Hospitais e Educação, apoia os Conselhos Populares. Com um detalhe, não leu as propostas e as leis que regem as duas iniciativas.

Os debates em Goiás são a reprodução destas máximas. Ainda hoje critica-se a gestão dos Hospitais, mesmo sendo referência no Brasil em qualidade.

Alguns jornalistas insistem em ser contra, na linha do “não conheço e não gosto”, outros defendem o projeto por conveniência, mas o debate com argumentos é raro. Isto é um vexame!

O HUGO é hoje um destaque no atendimento de urgência. Tem uma equipe qualificada e médicos-professores interessados em ser autores de um projeto de referência. Já usei o serviço do HUGO por duas vezes e fui surpreendido em tudo. No atendimento da chegada, na espera por resultados e na forma do atendimento aos hospitalizados. Vale a pena ver de perto.

O CRER foi um dos primeiros exemplos e agora o Governo de Goiás faz o mesmo com os outros hospitais. Quem ainda não entendeu a melhoria é porque não conhece e torce contra.

Agora na educação, o mesmo dilema se instala. Uma histeria comanda a crítica. E por que não pensar diferente?

Todos os anos, as universidades aposentam milhares de doutores e mestres por tempo de serviço. Este exercito de pessoas qualificadas são descartadas socialmente. Na sociedade civil existem milhares de pais que querem ajudar as escolas de seus filhos. Na sociedade civil há milhares de pessoas sérias e bem intencionadas.

Não será possível a união destas pessoas em torno de projetos de gestão de escolas? Será que sempre teremos professores na direção de escolas, com enorme simpatia e nenhuma habilidade em gestão (as eleições não garantem qualidade em si, apenas a legitimidade)? Será que precisamos passar pela burocracia estatal para limpar os banheiros, comprar papel e fazer o dia a dia das escolas funcionarem?

Como quem critica não lê a proposta, vejo comentário inacreditáveis na web. São críticos sem o menor conhecimento. Mesmo afirmando categoricamente que os professores serão concursados e a gestão do ensino será feita pro profissionais do Estado, alguns insistem em dizer o contrário.

Já é hora de olharmos para o futuro do país de maneira diferente.

 

Se você discorda, acha que todo mundo é incompetente, monte sua Organização Social e participe dos concursos.

Os modelos precisam ser testados, sempre teremos pontos positivos e negativos, mas podemos afirmar com certeza que o modelo atual que o Brasil tem mantido é ineficiente, ineficaz e antigo.

A Secretária da Educação de Goiás, Raquel Teixeira, tinha ressalvas sobre o modelo de participação das OS’s, e ao invés de ficar lamentando, foi à luta, estudou e propôs um modelo muito coerente.

Este é um país de empreendedores e esta vocação precisa ser aproveitada na gestão. Os sindicatos e os líderes de classe podem se organizar em suas OS’s. Será legítimo que participem dos pleitos… temos mais de 1200 escolas em Goiás.

O problema é que os críticos mais contundentes da participação da sociedade na gestão das escolas não conseguem praticar suas teses em suas entidades. Fazem uma gestão pouco profissional no sindicatos, perpetuam no poder e reproduzem com excelência os mesmos conceitos praticados na CBF e na FIFA.

 

Temos de ter coragem para mudar e avançar, ou então ficaremos convivendo com este país velho e sem perspectivas de futuro.

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