Geração de Bioenergia no Brasil – panorama atual e perscpetivas

 em Sustentabilidade

Via Ambiente Energia

Por Marcio Funchal* – O Brasil possui sua matriz de produção de energia altamente concentrada em recursos hídricos. Por diversas razões, o país vive hoje uma forte ascensão de geração de energia de outras fontes: eólica, solar e, principalmente, das térmicas. Atualmente, há quase 1.850 usinas termelétricas (UTE) em operação no Brasil, que correspondem a cerca de 30% da capacidade instalada de geração de energia brasileira. Somadas aos projetos em fase de construção e em licenciamento, o número de usinas ultrapassa a casa das 2 mil unidades.

Esses patamares revelam um crescimento acumulado de quase 50% na potência instalada em operação no Brasil, entre 2009 e 2015. O aumento do número de usinas termelétricas em operação é ainda mais expressivo: 62% no mesmo período. Na média nacional, a potência instalada de uma usina termelétrica em operação no Brasil é da ordem de 21,1 mil KW. Juntas, as termelétricas em operação no Brasil possuem potência instalada de 38,8 milhões de KW, e sua distribuição geográfica pode ser vista na Figura 1.

FIGURA 1 – DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS UTES¹ NO BRASIL

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Do universo de UTEs em operação no Brasil, 27% (493 usinas) usam como combustível alguma forma de biomassa. Juntas, essas usinas possuem uma potência instalada de 12,8 milhões de KW (ou seja, 33% da potência de todas as UTEs em funcionamento no Brasil). A potência instalada média das termelétricas a biomassa em funcionamento no Brasil é da ordem de 26,1 mil KW. O crescimento da potência instalada desse tipo de UTE no Brasil foi de incríveis 100% entre 2009 e 2015. A distribuição geográfica das UTEs em operação, baseadas em biomassa, pode ser vista na Figura 2.

FIGURA 2 – DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS UTES¹ A BIOMASSA NO BRASIL

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Com relação á geração de energia com biomassa, a fonte mais importante é de longe a cana-de-açúcar. Somente essa fonte representa cerca de 80% das usinas termelétricas a biomassa, tanto em termos de quantidade de usinas como em termos de potência instalada.

Logo em seguida, a madeira se destaca como outra importante alternativa para produção termelétrica no país. Nesse sentido, a madeira está presente em duas formas de produção de energia:
• uma baseada no resíduo de madeira “in natura” (principalmente resíduo industrial – cavaco, maravalha, costaneira, refilo e etc.); e
• outra baseada no licor negro (subproduto resultante do processamento da madeira na fabricação de celulose).

Em se tratando de biomassa de resíduos de madeira, tem-se hoje 47 termelétricas em operação, com potência instalada de quase 390 mil KW. Em geral, essas usinas estão ligadas à produção de celulose marrom (Pinus) e processadoras de grãos no agronegócio. A Entre 2009 e 2015, a capacidade instalada dessa matriz energética cresceu quase 50%. Figura 3 mostra a localização das UTEs mais importantes, que usam resíduo de madeira como combustível.

FIGURA 3 – DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS UTES¹ DE RESÍDUO DE MADEIRA NO BRASIL

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No caso das UTEs baseadas no licor negro, tem-se hoje apenas 17 unidades em operação, as quais juntas somam uma potência instalada de 1,98 milhões de KW. Esse tipo de geração de energia é usado principalmente nas fábricas de celulose branca (Eucalipto), embora também seja empregado em algumas companhias de produzem celulose com a fibra do Pinus. O aumento da capacidade instalada desse tipo de geração de energia foi de 73%, entre 2009 e 2015. A Figura 4 mostra a localização das principais UTEs a base de licor negro em operação no país.

FIGURA 4 – DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS UTES¹ DE LICOR NEGRO NO BRASIL

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Em se tratando de perspectivas, hoje o Brasil possui em processo de construção, licenciamento e/ou outorga um total de quase 70 novas UTEs, considerando apenas os projetos baseados em algum tipo de biomassa (bioenergia). Somadas, essas novas unidades representam uma potência instalada de quase 2,5 milhões de KW. Se considerarmos exclusivamente os projetos já anunciados de novas UTEs, baseadas exclusivamente em madeira “in natura”, o Brasil precisará expandir a área plantada com florestas em até 500 mil hectares.

Adicionalmente, o cenário de médio prazo aponta para sérias dificuldades de geração de energia elétrica no Brasil. A elevada dependência da geração hídrica somada às dificuldades para gerenciamento dos níveis dos reservatórios, têm motivado o aumento de preços de energia elétrica no mercado. Além disso, alguns Estados não renovarão políticas de subsídios concedidas para grandes consumidores, o que fará explodir o preço da energia em algumas partes do país.

Assim, uma janela de oportunidade de investimentos está aberta para os investidores. A CONSUFOR já sentiu esses efeitos, pois em vários projetos analisados para seus clientes, a geração de energia com biomassa tem se tornado um componente cada vez mais importante. Contudo, como todo projeto com horizonte de médio/longo prazos, o detalhamento do planejamento e as interfaces da operação precisam ser cuidadosamente alinhadas.

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*Marcio Funchal é administrador de empresa, mestre em administração e Diretor de Consultoria da Consufor (www.consufor.com.br)

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