Drogas, sob novo-velho paradigma

 em Goiás +20

O combate às drogas não é uma iniciativa nova, mas se apresenta sempre como novidade.

A sociedade moderna tem tratado o uso de drogas como uma doença, e este paradigma tem que mudar. Seu uso não é um distúrbio; é quase uma característica das sociedades, que tem estado presente desde sempre.

Estas substâncias que promovem sensações e emoções alteradas têm seus primeiros usos ainda nas comunidades primitivas – seja por caciques, pajés, faraós ou demais iniciados de cada tempo – sempre ligado a busca de respostas, à cura. O álcool, o tabaco, ayahuasca, a maconha estão há muito presentes. Com a sociedade industrial vieram as drogas sintéticas, e ai a coisa se intensificou, afinal quem não ouviu falar das alucinações de Van Gogh e seu amarelo? No Século XX, o uso de drogas passou a ser atitude quase obrigatória entre aqueles que queriam se destacar e muitos dos gênios contemporâneos consumiram algum tipo delas, veja.

Este fato nos leva a contestar a máxima de que drogas fazem mal e nos perguntar: será que campanhas que falam de drogas, com pessoas se acabando fazem algum sentido para quem as usa? Será que continuar a tratá-las como coisa de bandido está ajudando?

Dentro desta perspectiva, chamo atenção para três acontecimentos: o presidente uruguaio Mujica estabeleceu uma nova lógica na América Latina: perguntado se ele tinha certeza de que a descriminalização da maconha iria resolver problema, ele foi enfático: “Não sei se é solução, mas sei que criminaliza-la não ajudou em nada. Se queres mudar não pode fazer do mesmo jeito. Somos inimigos das drogas assim como somos inimigos do álcool e do tabaco”. A realidade é só uma: as políticas repressivas de combate às drogas na América Latina fracassaram!  Aqui um trecho da entrevista. Obviamente que maconha é um mal menor. E talvez por isto mesmo não deve ser tratada como as outras drogas.

Logo, Haddad em São Paulo tentou uma nova estratégia contrapondo a utilizada por Serra. Um propõe o acolhimento voluntário e o outro o compulsório. O resultado de ambos foi ainda pequeno, mas a atenção ao problema deve ser louvada. Fernando Henrique já está há anos debatendo o tema em âmbito mundial. Para ele está claro que a descriminalização da maconha é um passo importante. As Juventudes de alguns partidos começam a debater o tema e recentemente o PSD jovem de Goiás colocou o assunto na WEB, e o mesmo rendeu.

Por último, algo que acontece aqui na nossa esfera: o Governo de Goiás está lançando uma campanha, pelo Grupo de Enfrentamento as Drogas, em consonância com a política nacional antidrogas. O Grupo é ainda muito “chapa branca”, mas a iniciativa – e a atenção – é muito válida!!! A grande ação do Estado está sendo ampliada com a criação dos Credeqs, um conjunto de centros especializados no tratamento do dependente químico.

No Brasil e no mundo o maior empecilho de uma política eficaz é a forma de abordar o problema. Droga não se enfrenta, droga não se combate, droga não é consumida por bandidos. Droga é um fenômeno social que deve ser compreendido e abordado com eficácia e sem hipocrisia. Falar em combate às drogas com a venda de álcool em qualquer esquina é no mínimo incoerente…

Entretanto, não existem verdades absolutas. Parabéns a todos que se dedicam ao tema, na minha opinião mais importante assunto a ser tratado pelo país..

por Marcelo Safadi

Postagens Recentes
Contato Comercial

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar