Dia Mundial da Água – 22 de Março

 em Meio Ambiente, Opinião, Política, Sustentabilidade

Todos nós sabemos que a água é essencial para a vida, sem ela não sobrevivemos por mais que alguns dias, e sua escassez pode impossibilitar qualquer atividade de desenvolvimento humano. Nesta segunda-feira, 22 de março comemoramos o Dia Mundial da Água, o Brasil possui por volta de 12% da agua doce potável do mundo, mas o que temos feito para preservar esta riqueza natural?

Se tratando do cuidado com um bem tão importante como a água podemos analisar a situação do Brasil em dois panoramas, o rural e o urbano.

Conservação das águas no campo

Muito se fala atualmente do desmatamento em sua maioria causada pela expansão de atividades agrícolas, com o desmatamento ilegal, muitas áreas que deveriam ser de preservação permanente acabam sendo degradadas. Áreas como mata ciliares, nascentes e topos de morro são vitais para a retenção de água no solo. Quando essas áreas são degradadas a capacidade do solo de reter a água da chuva é comprometida, fazendo com que essa água escoe pela superfície causando erosões e enchentes e prejudicando as nascentes, já que menos água fica retida no sistema solo após a chuva. É por esse motivo que mesmo com grandes níveis de chuva, áreas degradadas tem dificuldades de encher seus reservatórios, uma vez que a vazão de água vinda de suas nascentes esta comprometida.

O manejo agrícola correto é crucial para preservarmos as fontes de água potável que dispomos hoje, o Brasil hoje possui um ótimo código florestal, porém necessitam de mais investimentos na fiscalização dessas atividades para responsabilizar produtores que cometam crimes ambientais.

Conservação das águas no meio urbano

No meio urbano temos canalização de rios nas grandes cidades, essa ação é a principal responsável por alagamentos nas cidades, pois com o concreto a infiltração de água no solo não ocorre, sendo assim os grandes volumes de água se acumulam pelos córregos e rios concretados, por onde a água naturalmente escoa, causando diversos danos e riscos a população. Também é comum a edificação urbana em locais como margens, baixadas e áreas sujeitas a deslizamento, expondo a população a grande risco além do dano ambiental já mencionado.

Mas a questão mais crítica no cuidado das águas no Brasil talvez seja a do tratamento de esgoto. Pesquisas realizadas em 2016 pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que mais de 51,9% da população brasileira não tem acesso à coleta de esgoto. 38% da água tratada no país é perdida nos sistemas de distribuição, gerando um prejuízo de 11,5 bilhões. A água desperdiçada em nossos sistemas de distribuição abasteceria toda a França, Bélgica e a Suíça por exemplo, isso mostra o descaso do poder público com um bem tão importante quanto a água.

O que o Brasil está fazendo para preservar nossas águas?

No meio rural o Brasil vem sendo alvo de críticas nacionais e internacionais, tudo isso devido a políticas do Governo Bolsonaro que aponta para um relaxamento da fiscalização ambiental.

Já no meio urbano, pensando em melhorar a questão do saneamento básico no Brasil, foi sancionado agora em 2021 o novo marco do saneamento básico. A nova lei visa ampliar a participação do setor privado no saneamento básico, estabelecendo critérios para suporte técnico e financeiro da União, além de condicionar repasses à eficiência de serviços prestados. Por incrível que pareça no Brasil não havia uma norma que exigisse a entrega de serviços para realização de novos repasses, culminando em um sistema que consome muitos recursos públicos e tem pouca ou nenhuma motivação para entregar o serviço para a população.

O texto aprovado pelo Congresso tem, entre outros objetivos, universalizar o saneamento (prevendo coleta de esgoto para 90% da população) e o fornecimento de água potável para 99% da população até o fim de 2033. O novo marco permite ainda o estabelecimento de blocos regionalizados de municípios com o objetivo de se obter ganhos de escala e de se garantir viabilidade econômico-financeira dos serviços, para se atingir a universalização dos serviços.

 

Por: Danilo Andrade Nery

 

Fontes:

https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/12/25/bolsonaro-assina-decreto-que-regulamenta-novo-marco-do-saneamento-basico.ghtml

https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/06/24/raio-x-do-saneamento-no-brasil-16percent-nao-tem-agua-tratada-e-47percent-nao-tem-acesso-a-rede-de-esgoto.ghtml

https://www.eosconsultores.com.br/qual-a-realidade-do-saneamento-basico-no-brasil/

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