Crise hídrica: Região Metropolitana de Goiânia encara reflexos de anos de negligência

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Um dos principais problemas urbanos que afligem a população em todo Brasil é a escassez de água. Ao longo dos anos, os moradores de Região Metropolitana de Goiânia enfrentam a falta de água nas épocas de seca. Ao contrário do que o atual governo do Estado tenta demonstrar, o problema desta vez não é a questão do abastecimento, mas sim da crise hídrica do rio Meia Ponte.

A crise de abastecimento está relacionada à incapacidade de armazenamento e distribuição de água nas cidades, já a crise hídrica é a redução da oferta de água. Na Região Metropolitana de Goiânia, este problema está relacionado diretamente com a diminuição da vazão dos rios, em especial do Meia Ponte. De acordo com o governo, em 2014 a vazão deste rio era de 60 m³/s. Agora, o número caiu para mais da metade e atinge um índice pior do que em 2017, quando aconteceu a pior crise hídrica.

O problema hídrico na região é consequência do desmatamento das matas ciliares. A população sempre tratou a água como um bem infinito e hoje está lidando com os resultados de anos de negligência e descaso com o meio ambiente. Apesar de todos os tormentos, basta passar o tempo seco e é como se as pessoas se esquecessem do real motivo. Só voltam a lembrar da situação quando as caixas d’água ficam vazias.

Para resolver o problema de abastecimento de Goiânia e região, no ano de 2017 o Governo de Goiás lançou a 3ª etapa do Sistema Produtor Mauro Borges. Na ocasião, o ex-governador Marconi Perillo destacou que, aliada à manutenção do atual Sistema Meia Ponte, o abastecimento de água da Região Metropolitana de Goiás estaria assegurado até o ano de 2040. O fato é que esta foi uma das ações mais eficientes da história do estado para driblar a crise de abastecimento.

Porém, todos os governos falharam na implementação de políticas públicas do uso consciente da água e da preservação das matas ciliares. Essa falha fez com que o reforço de abastecimento não fosse suficiente para garantir a segurança hídrica dos moradores da região.

Como reflexo,em abril deste ano, o atual governador Caiado assinou um decreto de alerta hídrico nas bacias hidrográficas do Rio Meia Ponte e do Ribeirão João Leite, na Grande Goiânia. Em julho, a vazão do Rio Meia Ponte saiu do nível de alerta e atingiu o nível crítico 1, de acordo com monitoramento da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad Goiás).

A fiscalização que começou a ser feita apenas nos últimos anos com o intuito de amenizar o problema hídrico identificou que atualmente, as outorgas de bacias de forma legal é de 3.269 litros de água por segundo, sendo que 2,3 mil são para a Saneago. O restante é cedido para produtores rurais, Porém, a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanes, acredita que este número pode ser maior já que há captação ilegal e é o governo tem trabalhado para descobrir. “Sabemos que há muitos outros usos ainda invisíveis. A partir de uma gestão mais adequada esperamos ter um levantamento real”, afirmou a secretária.

Diante disto, no mês de julho o Governo do Estado, por meio da Semad, divulgou o calendário de reuniões de mobilização para incentivar o cadastramento de usuários não outorgados de recursos hídricos das Bacias do Ribeirão Piancó e do Alto Meia Ponte. A intenção é monitorar e conseguir dados mais exatos sobre a atuação situação hídrica da Região Metropolitana e, assim, aplicar ações práticas para reverter um pouco do problema.

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