Brasil ocupa a quarta posição entre os países que mais consomem embalagens plásticas

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A ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas realizou no dia 18 de fevereiro, em São Paulo (SP), o evento “Tendências e desafios da indústria: Tecnologia, Processos e Embalagens”, que abordou inovação, alimentos, economia circular e rastreabilidade. O evento tem o objetivo de discutir a indústria de embalagens no Brasil e faz parte da programação da primeira edição da PPW – Packaging & Process Week – Feira Internacional de Tecnologia, Processos e Embalagens para as Indústrias de Alimentos, Bebidas, Cosmética, Farmacêutica e Química, que será de 15 a 18 de setembro no São Paulo Expo.

De acordo com o estudo realizado pela Datamark (Market Intelligence Brazil), o Brasil ocupa a quarta posição entre os países que mais consomem embalagens. Em 2018 o país consumiu 37 bilhões de dólares em produtos dessa categoria, atrás do Japão com U$$ 68 bi, EUA com U$$ 164 bi e China com um total de U$$ 219 bi.

Em 2019, foram utilizadas 2,2 milhões de toneladas de embalagens plásticas no Brasil entre os mercados alimentícios, bebidas e não alimentício (elétrico e automotivo, higiene e beleza, lazer e pessoal, limpeza, química e agricultura), seguido por vidro com 1,5 milhão de toneladas, 1,2 milhão de toneladas de metais, 1,03 milhão de toneladas de papel e embalagens flexíveis com 776 mil toneladas. Na América Latina, o Brasil lidera o consumo de embalagens plásticas (Datamark, 2014) com 3.9 milhões de toneladas, seguido por México com 3 milhões, e Argentina e Chile empatados com 500 mil toneladas cada.

Em 2020, a expectativa é que sejam consumidos globalmente U$$ 1 trilhão em embalagens, 23% a mais que em 2015, quando o consumo foi de U$$ 770 bilhões. As embalagens de papel permanecem sendo as protagonistas com 31% do consumo, seguida das embalagens de plástico 23% e das flexíveis 22%.

Inovação no setor
Sobre o tema inovação, a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Seara, Renata Nascimento destacou que o mundo vive um novo momento no qual é preciso enxergar as possibilidades de mudanças. “É importante prever os novos comportamentos e tendências que farão a diferença no desenvolvimento de produtos e no lançamento de novas campanhas e ideias”, enfatiza.

Segundo o Índice Global de Inovação de 2019, entre 129 países, o Brasil é o 66º mais inovador; da América Latina ocupa o 5º lugar, atrás de Chile (51º), Costa Rica (55º) e México (56º). “Não somos um país inovador: somos seguidores de inovação. Para mudar esse quadro e, de fato, inovar, é preciso enxergar possibilidades de mudanças no mercado em que se atua”, ressaltou Renata. As tendências para as quais as indústrias de alimentos devem olhar para inovar é pensar em proteínas alternativas para alimentar 9,8 bilhões de pessoas em 2050; a cozinha do futuro, que será com assistência digitalizada e robôs; produtos customizados para atender demandas de saúde de públicos específicos, como crianças, idosos, atletas, entre outros; e transparência e rastreabilidade. “A inovação está alinhada com tecnologia e quem as desenvolve precisa ‘viver’ no futuro. Só assim é possível se preparar para entregar o que o mercado precisa”.

Economia Circular
Segundo pesquisa global da companhia Environment Research realizada anualmente sobre tendências, os brasileiros acreditam que o governo e as indústrias de embalagens, alimentos e bebidas devem tomar a liderança para a solução de questões ambientais. As ações ambientais que os brasileiros afirmam estar fazendo são redução de desperdícios de alimentos e bebidas, coleta seletiva, reciclagem e compra de produtos de embalagens sustentáveis.

Em 2019 foram recicladas 81 mil toneladas de embalagens longa vida no Brasil. Para que esse número cresça, a especialista em sustentabilidade da Tetra Pak, Vivian Guerreiro afirma que fatores pós-consumo são fundamentais.  “Aumentar a conscientização dos consumidores e de sua responsabilidade compartilhada, melhorar a infraestrutura de coleta seletiva e triagem, impulsionar oportunidades de negócio na reciclagem e ampliar mercado para produtos reciclados são aspectos chaves para o aumento da reciclagem”.

Segundo a pesquisa feita pela Tetra Pak, para a maioria dos consumidores brasileiros, os produtos sustentáveis são sinônimos de biodegradáveis, recicláveis e renováveis. Noventa e três por cento estariam dispostos a considerar uma marca que utiliza embalagens mais sustentáveis e 44% a pagar mais por um produto em embalagem mais sustentável.

“Nossa visão de economia circular de baixo carbono se baseia em três pilares: matérias-primas de fontes renováveis e responsáveis, incentivo à coleta seletiva e reciclagem das embalagens e estímulo ao desenvolvimento de equipamentos e soluções eficientes que reduzem o impacto ambiental da produção de alimentos e bebidas, uma vez que as embalagens que produzimos são preenchidas dentro dos clientes, ou seja, algumas perdas ocorrem no processo produtivo”, explica Vivian Guerreiro.

A diretora de Economia Circular da Braskem, Fabiana Quiroga apresentou os desafios do modelo na cadeia do plástico, destacando que apenas 22% dos municípios possuem coleta seletiva, sendo que do material coletado, 13% é composto por plástico, 22% papel e papelão, 12% alumínio, 10% metais ferrosos e 9% vidro. Ela ressaltou que desde a revolução industrial, as empresas desenvolveram seus negócios em torno da economia linear e, consequentemente, as embalagens foram concebidas nesse modelo, que privilegia estética e performance para atender as demandas do consumidor.

“A mudança para uma economia circular deve envolver toda a sociedade, que precisa repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. A indústria tem um papel fundamental no oferecimento de soluções sustentáveis e na produção com menor impacto ao meio ambiente. Colaboração, inovação e engajamento do consumidor são fundamentais para atingirmos esse objetivo”, ressalta Fabiana.

Serviço:
PPW – Packaging & Process Week
Data: 15 a 18 de setembro de 2020
Local: São Paulo Expo
Mais informações: https://www.ppwfeira.com.br/

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