Brasil fixa em 43% a meta de redução nas emissões até 2030

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Durante a Cúpula sobre Desenvolvimento Sustentável organizada pelas Nações Unidas a presidente brasileira Dilma Rousseff anunciou que a meta do país é de reduzir em 43% (ano base 2005) a emissão de gases do efeito estufa até 2030. Segundo ela 37% até 2025 e em seguida chegar aos 43%. Ao que tudo indica esta será a proposta do Brasil na cúpula do clima de Paris, a COP 21, agendada para dezembro.

Levando em conta que o total de emissões em 2005 foi de 2,03 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, a meta representaria emitir 1,28 bilhões de toneladas em 2025 e 1,15 bilhões de toneladas em 2030.

Cerca de 60 países já haviam divulgado suas metas para reduzir a produção de gases do efeito estufa, entre eles China, Estados Unidos, União Europeia, Japão e Rússia, responsáveis por 66% das emissões mundiais.

Os países membros da União Europeia (UE) acordaram formalmente sua posição comum para a Conferência de Paris (COP 21) sobre o clima que contempla uma redução de 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, 50% até 2050 e uma “neutralidade de carbono” até 2100.

China e Estados Unidos fizeram um compromisso em conjunto. A China pretende criar o maior mercado de carbono do mundo até 2017 e um comprometimento de 3 bilhões de dólares de cooperação sul-sul em mudança climática. Os Estados Unidos reafirmou o compromisso de significante reduções nas emissões e um fundo “verde” para o clima.

Se as propostas dos países para 2030 anunciadas até o momento forem concretizadas, o planeta ainda deve chegar a um aquecimento entre 3ºC e 4ºC, segundo estimativas. Para o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o ideal seria de limitar o aquecimento global a 2ºC.

Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, o anúncio do Brasil é uma indicação positiva, mas ainda com um grau de ambição insuficiente. “Se comparar com outros países que são grandes emissores, o Brasil é um dos que está se propondo a fazer mais. Mas se comparar com o que o país tem de potencial de redução de emissões, com a nossa responsabilidade e com a urgência, poderíamos ser mais ambiciosos”, afirmou.

Mais compromissos – Dilma anunciou outras metas. “Na área de energia, também temos objetivos ambiciosos. Primeiro, a garantia de 45% de fontes renováveis no total da matriz energética. Segundo, a participação de 66% da fonte hídrica na geração de eletricidade. Terceiro, a participação de 23% das fontes renováveis, eólica, solar e biomassa, na geração de energia elétrica. Quarto, o aumento de cerca de 10% na eficiência elétrica. Quinto, a participação de 16% de etanol carburante e demais fontes derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética”.

Dilma também confirmou em seu discurso que até 2020, o Brasil pretende: o fim do desmatamento ilegal no país, a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares e a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradas. Também prometeu a integração de 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-floresta.

A presidente disse ainda que: “o Brasil tem feito grande esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, sem comprometer nosso desenvolvimento econômico e nossa inclusão social.”

De fato, o Brasil é a primeira grande economia emergente a adotar uma meta absoluta de redução de emissões para toda a economia. Confira os compromissos brasileiros no quadro abaixo.

As metas brasileiras segundo Dilma

 

  • Reduzir emissões de gases causadores do efeito estufa em 37% até 2025 e até 2030, chegar a 43% (tendo 2005 como base)
  • Garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética
  • Ampliar para 66% a participação da fonte hídrica na geração de eletricidade
  • Ampliar para 23% a participação de fontes renováveis na geração de energia elétrica
  • Aumentar em cerca de 10% a eficiência elétrica
  • Aumentar para 16% participação de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de açúcar no total da matriz energética
  • Acabar com o desmatamento ilegal
  • Restaurar 12 milhões de hectares de florestas
  • Recuperar 15 milhões de hectares de pastagens
  • Integrar 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas
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