Biodiversidade é foco de capacitação a servidores

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Primeiro Estado a capacitar todos os funcionários da sua Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, técnicos e administrativos, em questões estritamente ambientais, Goiás deu início na manhã desta segunda-feira, dia 3, ao Curso de Capacitação em Conservação da Biodiversidade. Com duração de 36 horas-aula, o curso é ministrado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), de Nazaré Paulista, SP. A iniciativa integra o Projeto Cerrado Sustentável Goiás, financiado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente, do Banco Mundial, que tem como uma de suas metas o fortalecimento institucional.

“Visto que o objetivo principal do Projeto é a conservação da biodiversidade do Cerrado, decidimos capacitar os servidores nesse tema, não apenas os técnicos, mas 100% do pessoal da Semarh”, destacou o superintendente executivo da Secretaria, Jales Naves, ao abrir o curso, ministrado no Umuarama Hotel. “É importante que todos conheçam minimamente os objetivos do órgão onde trabalham. Por exemplo, esperamos que um motorista que esteja dirigindo tenha consciência de que deve ter cuidado para não atropelar animais silvestres. Isso está relacionado à conservação da biodiversidade”, completou.

Coordenador do Centro de Cursos Livres do IPE, o engenheiro agrônomo Eduardo Badialli, que ministra o treinamento, ressaltou essa preocupação da Semarh em capacitar todos os seus servidores. “É a primeira Secretaria de Estado, no Brasil, a oferecer a oportunidade e conhecimentos a 100% dos funcionários, num importante avanço para a questão ambiental, formando mais parceiros para essa luta”, disse.

Curso

Como o objetivo principal do Projeto é a conservação da biodiversidade do Cerrado, o curso de capacitação atende uma das questões centrais de toda a política ambiental. Serão cinco turmas distintas, o que garante a participação integral sem retirar todos os funcionários de suas funções ao mesmo tempo e sem prejudicar o andamento das atividades da Semarh.

Mestre em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável, e palestrante do curso, Gabriela Cabral Rezende abordou temas como a análise da idade do planeta e suas transformações; os períodos de extinção em massa de espécies; a classificação da biodiversidade em bases genéticas; a quantidade e variedade de espécies conforme panoramas climáticos e a ocupação humana e extinção em massa das espécies, entre outros tópicos. Conforme explicou, há um conflito entre o aumento populacional e a biodiversidade. “O fim das populações animais e vegetais, dos ecossistemas e dos habitat resultará em espaços vazios e estéreis”, avisa. Para a pesquisadora, o desmatamento tem impactos catastróficos na biodiversidade. “a supressão da vegetação nativa impede a realização dos serviços ecossistêmicos de suporte, como a captura de gás carbônico pelas árvores”, explica.

O Cerrado

Com informações específicas sobre o Cerrado e sua biodiversidade, Gabriela Rezende destacou que o segundo maio bioma brasileiro, com mais de dois milhões de quilômetros quadrados, é um dos 34 locais de atenção prioritária à preservação. A inserção do Cerrado aos “Hotspots” ambientais ocorre devido à sua grande biodiversidade e à ameaça que sofre com o desmatamento, hidrelétricas e outras ações humanas. “Aqui está 30% da biodiversidade brasileira e 5% de todas as espécies existentes no planeta”, enumera. A pesquisadora ressaltou ainda que o atual modelo de produção gera uma pressão sobre o uso dos recursos naturais. “Os instrumentos de governança devem incluir o fator ambiental em igualdade com o econômico e social”, finaliza.

Cada turma terá três módulos, com abordagem ampla dos aspectos acerca da biodiversidade do Cerrado. O curso termina dia 21 de novembro.

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