Bicicleta: com ou sem freio, eis a questão

 em Goiás +20
(Créditos: Jornal O Popular)

(Créditos: Jornal O Popular)

A polêmica sobre o painel do Centro Cultural Oscar Niemeyer, que recebeu a pintura do Bicicleta Sem Freio, tem nos servido como um ótimo instrumento para discutir as políticas públicas e a forma como a sociedade reage às intervenções governamentais.

O projeto foi realizado nesta edição do Festival Bananada, um evento nacional feito por produtores goianos, suscitando entre nós um ambiente bastante aguerrido no debate sobre os méritos e as ideias sobre o que fazer com os espaços públicos.

A princípio, o projeto previa que a obra duraria por apenas 30 dias, mas justamente pelo fato de alguns arquitetos se oporem a obra, a possibilidade de ampliação deste prazo se tornou evidente. O Bicicleta Sem Freio hoje é uma referência mundial. É um grupo de goianos que tem feito paredes pelo mundo afora, e inexplicavelmente, tem trabalhado menos em Goiás e no Brasil, do que em outros países. Eles já fizeram ilustrações e trabalhos para grandes marcas como Nike, Converse e Absolut, por exemplo.  Talvez não tenham ainda o reconhecimento e o mérito necessário dentro do seu próprio território.

A polêmica surgiu pelo fato de que as obras de Oscar Niemeyer são, geralmente, brancas. Portanto, os puristas que defendem a obra arquitetônica como algo “intocável”, realmente estão tendo que se virar para manter uma coerência.

O próprio Oscar Niemeyer, por algumas vezes, revelou que fazia as obras brancas para que elas fossem interferidas pela sociedade. Ao mesmo tempo, seu escritório de arquitetura impede que qualquer alteração seja feita em suas obras. Essa contradição tem sido atônica no Brasil. A despeito do mérito da qualidade da obra, se é ou não uma obra de arte, design ou ilustração, nada disso importa. O que importa neste momento é que um grupo de jovens goianos fez e aconteceu na cidade.

A secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, muito sabiamente abriu sua atenção ao debate. Com atuação pessoal no Twitter e Facebook, encarou ao desgaste e propôs uma realização de uma Ouvidoria para saber o que fazer com a obra. De parte a parte tem havido agressões e comentários jocosos, mas isso não invalida o debate. O que importa é que agora estamos iniciando em Goiás um debate sobre assuntos e temas a respeito do que fazer com a cidade, e isso é muito bom. Com raríssimas exceções, Goiânia já estava se tornando uma cidade chata, bolorenta e antiquada. Bem-vindo a esta nova Goiânia que se abre, Bananada procês!

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