Avenida para a Cidadania

 em Comportamento, Urbe

por Virmondes Cruvinel

As grandes cidades não podem mais ser reféns do automóvel. Diante do caos do trânsito, o modelo de mobilidade baseado no veículo pessoal vem sendo confrontado no mundo inteiro. O consenso entre os especialistas é o de que o transporte coletivo precisa ser valorizado e que a cidade possa ser plenamente usufruída também pelos pedestres.

Concordamos com essa visão, destacando que o poder público deve ser o principal indutor dessa transformação. Muito se fala sobre ações estruturais, como a implantação de corredores exclusivos, ampliação de alternativas para o uso cotidiano da bicicleta e uma fiscalização enérgica para que as empresas de ônibus melhorem seu serviço.

São ações importantes, mas o poder público também acerta quando realiza pequenas intervenções, que prestigiam a ocupação das ruas por pedestres, ciclistas, skatistas, patinadores etc. É o caso recente, por exemplo, da proibição de veículos automotores na Avenida Goiás, aos domingos, entre as Praças Cívica e do Trabalhador.

A medida é louvável porque abre um importante espaço urbano para o convívio social e o aproveitamento das ruas sem a presença do automóvel, mesmo que apenas por um período do final de semana. Isso é civilidade com um conceito contemporâneo sobre a utilização da cidade e seus equipamentos.

A medida também resgata o Projeto Ruas do Esporte, uma iniciativa que propusemos na Câmara Municipal, em 2013. Sem apoio da Prefeitura, o governo autorizou seu início na Praça Cívica, em janeiro 2014. O projeto foi interrompido pela reforma na praça.

Agora, como deputado estadual, também apresentamos o projeto de lei do Ruas do Esporte, para que esse mesmo princípio de ocupação dos espaços urbanos pela coletividade possa ser levado para outras cidades de Goiás. Trata-se de uma medida muito barata (requer apenas alguns cones e a devida fiscalização de trânsito para o fechamento de ruas) e que produz benefícios instantâneos: convívio social de qualidade e melhoria na saúde.

Aos poucos, as famílias chegam com suas bicicletas, velocípedes e carrinhos de bebês. Os jovens carregam seus patins e skates. Mas o melhor que todos levam para o espaço urbano é o sorriso e a sensação de que vivem em uma cidade que respeita seus cidadãos.

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