Asfalto feito de pneu apresenta maior resistência ao desgaste

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Os buracos nos pavimentos são os principais defeitos observados nas estradas de todo o Brasil. Segundo o doutor em geotecnia, Luiz Rodrigues de Mello, a mistura de borracha aplicada ao asfalto modifica as características químicas e físicas fazendo com que a resistência a fadiga e ao envelhecimento do asfalto aumentes.

Nos últimos quatro anos, o governo federal investiu anualmente R$ 3,5 bilhões na conservação, restauração e manutenção rodoviária (CREMA). Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para 2011 estão previstos R$ 5 bilhões. “Caso houvesse a adesão do asfalto borracha em rodovias ao longo do Brasil, aliado a uma boa pavimentação, certamente estaríamos com menos buracos e teríamos acréscimo de vida útil no pavimento”, garante Mello. A tecnologia faria com que os investimentos em programas de recuperação de estradas fossem menores, já que após cinco anos de uso, o asfalto borracha não apresenta fissuras, segundo o pesquisador.

Dados divulgados em 2010 pela Reciclanip – criada para atender ao Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis – mostraram que a entidade coletou e destinou de forma ecologicamente correta 311, 5 mil toneladas de pneus que não seriam utilizados. Para Melo, que durante os testes do asfalto borracha utilizou 20 % de borracha moída de pneus usados, essa seria mais uma opção para os pneus inservíveis. “Seria essa uma das soluções para o destino de milhões de pneus usados, numa extensão de 1 km numa faixa de 3,5m de largura, pode-se usar até 625 pneus”.

Incentivo
Conforme Mello, ainda não há no Brasil incentivo oficial para a incorporação da borracha na composição das misturas do asfalto. “Falta conhecimento da técnica e vontade administrativa para que projetistas, de obras de construção de pistas nas ruas e estradas, comecem a usar esse processo no país”.

Questionada sobre os benefícios do asfalto borracha, a chefe do Laboratório de Asfalto do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR/DNIT), Luciana Nogueira, explicou que em 2009 foi aprovada uma norma com configurações específicas para o uso do asfalto borracha nas obras de estradas. “Desde 2003, conferimos os dados e elementos técnicos da aplicação do asfalto borracha em obras rodoviárias. Sabemos que a borracha adicionada no revestimento asfáltico aumenta a vida útil do pavimento. É uma tecnologia muito boa, que contribui para o meio ambiente e melhora as características do pavimento”, disse.

A engenheira arrisca um palpite para a falta da tecnologia nas estradas do Brasil. “Muitos projetistas fizeram o projeto antes da norma ser aprovada. Outro entrave é que precisa ter um controle tecnológico para realizar a mistura”.

Diversos países já utilizam o processo, em boa parte da malha rodoviária. São eles: Estados Unidos, África do Sul, China, Austrália, Suécia, Holanda, Espanha, França, Japão, Colômbia, Chile. No Brasil ainda não há projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que obrigue a inclusão da borracha no cimento asfáltico. Existe apenas uma resolução do CONAMA (n°258/99) que determina que as empresas fabricantes e as importadoras de pneumáticos são obrigadas a coletar e dar um destino ambientalmente adequado aos pneus inservíveis.

Uma boa alternativa para reaproveitar pneus velhos, contribuindo para o meio ambiente, e aumentando a resistência dos asfaltos, evitando acidentes e transtorno para a população.

Fonte: Bluue

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