Águas de Março

 em Goiás +20

NOSSO PRIMEIRO EDITORIAL DE MARÇO NÃO PODERIA SER OUTRO:

PENSEMOS SOBRE NOSSAS ÁGUAS ENQUANTO ELAS EXISTEM

Por Marcelo Safadi

A água sempre foi o bem mais precioso da sociedade, é parte integrante da vida, de sistemas ambientais, econômicos e sociais e compõe percentual significativo em todos os seres vivos.

Entretanto sua presença no planeta não é uniforme no espaço ou no tempo. Assim, diferentes regiões – por razões hidrológicas, geográficas, geológicas, geomorfológicas, climáticas, entre outras – possuem recursos hídricos menos ou mais abundantes. Mas mesmo nessas, o regime das chuvas pode alterar sobremaneira a disponibilidade hídrica ao longo de ciclos anuais.

Por essas razões, mas também em função da crescente complexidade dos aglomerados urbanos e rurais e consequentemente de seus usos, a gestão das águas continua a ser uma necessidade para a sociedade moderna, uma necessidade que será permanente.

Mesmo porque, ainda que tenhamos toda a complexidade que já mencionamos, conceitualmente a conta na gestão das águas é simples. Não se pode permitir consumir mais do que o percentual da vazão permitida em determina bacia hidrográfica. Ou seja, quando todos conhecem a vazão do rio na bacia hidrográfica e também as outorgas já concedidas, não será justificável novas outorgas em bacias hidrográficas que não possuem a disponibilidade hídrica para aquele determinado projeto.

Também a hierarquia do uso já é conhecida. Primeiro o abastecimento humano, depois o abastecimento para consumo animal, irrigação energia, transporte. Assim todos devem saber o compromisso de cada setor.

Portanto, a água deve ser inserida como um dos valores nacionais, de maneira que a sociedade pense sobre as águas cotidianamente e encontre soluções para que o nosso país desfrute de suas vantagens diante de outras nações, porque tal dadiva da natureza não pode ser desprezada.

Particularmente em Goiás, temos um território no qual a água tem uma qualidade muito significativa, além de volume e acessibilidade invejáveis. Mas essas condições favoráveis não determinam isoladamente o bom abastecimento das demandas sociais.

Isso porque a maior complexidade dos aglomerados urbanos e rurais, como já dissemos, determina um aumento da complexidade dos sistemas de gestão de outorga, de fiscalização, de cadastro de usuários e planejamento de usos múltiplos. Com essa maior complexidade, temos um consequente aumento de falhas desses sistemas, das quais decorrem desequilíbrios entre oferta e demanda, sobrecarga das bacias e comprometimento de suas capacidades futuras.

Para enfrentar esta realidade, é cada vez mais latente a necessidade de adoção de medidas que promovam uma nova postura na gestão pública e no comportamento social. O ponto central desta nova atitude pública e privada é o acesso a informação qualificada.

Possível, num modelo transparente de relacionamento entre o governo e a sociedade, no qual bravatas não tem espaço e as decisões são tomadas sob a força da informação e do conhecimento, no qual que erros e acertos são observados na medida do seu aprendizado para as próximas ações e etapas, para o futuro.

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