Aceiros estão sem manutenção

 em Sustentabilidade

via O Popular

Os aceiros – área sem vegetação feita em torno de terrenos ou propriedades para proteger de incêndios – nos parques estaduais de Goiás ainda não sofreram manutenção neste ano, o que aumenta o risco de focos de fogos nas unidades de conservação. A ação é feita externamente, ou seja, na divisa dos parques, e funciona como uma estratégia de combate aos incêndios. Sem a manutenção, a área que seria limpa recebe biomassa, como folhas, gravetos e outros, o que facilita a continuidade do fogo.

Essa falta de manutenção pode ser uma das causas do incêndio ocorrido no Parque Estadual Serra dos Pirineus, iniciado na sexta-feira e só finalizado na noite de domingo. Os dois focos de fogo no local queimaram 40% do parque, cerca de 1.160 hectares. O que se sabe, até então, é que o incêndio foi iniciado de fora do parque, muito provavelmente de maneira criminosa. Com isso, o acúmulo de material no aceiro pode ter facilitado a ida do fogo para o parque.

Superintendente de Proteção Ambiental e Unidades de Conservação da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), José Leopoldo de Castro, afirma que a relação entre o problema na manutenção do aceiro e o incêndio no Parque Serra dos Pirineus ainda não é definitiva. Um especialista da secretaria vai ao local ainda nesta semana para realizar uma perícia e verificar as causas do incêndio e como ele entrou para a área de conservação.

Castro confirma que, por questões orçamentárias, houve atraso na manutenção dos aceiros, o que deve ser feito só a partir de agora. No entanto, ele não afirma que as unidades de conservação estão desprotegidas. O argumento é que o período chuvoso em Goiás, neste ano, foi encerrado mais tarde, o que já faria com que a manutenção se iniciasse depois, além do que houve manutenção recorrente nos últimos anos, especialmente desde 2011, o que, em tese, diminuiria a quantidade de biomassa acumulada.

O superintendente alega que a situação só seria preocupante caso se estendesse por mais tempo, aumentando o acúmulo de biomassa. Outro problema é que não houve parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em algumas unidades de conservação, como no Terra Ronca, deixando de ter o apoio de brigadas de incêndio contratadas pelo órgão. “O problema orçamentário atingiu a todos. Contratamos os equipamentos e finalizamos a parte interna, mas externamente o trabalho ainda não está concluído”, diz Castro.

Coordenador da Operação Cerrado Vivo do Corpo de Bombeiros, o capitão Wanderley Valério de Oliveira relata que a corporação cobra dos gestores das unidades de conservação e os fazendeiros que fazem limites com os parques a construção e manutenção dos aceiros e das trilhas internas. Porém, não há um trabalho de fiscalização para que essas medidas, chamadas de protetivas, sejam realizadas ou monitoradas. “É um trabalho de formiguinha, dentro do que é permitido a gente fazer”, conta.

Para se ter uma ideia, na semana passada o Corpo de Bombeiros visitou o Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco, na BR-060, e verificou que o aceiro estava feito nas margens da rodovia. “Por meio de parceria com eles fizemos as trilhas internas, com nossa viatura”, diz. Como o trabalho não é de fiscalização, capitão Valério afirma não saber se os aceiros e as trilhas foram feitos nas unidades de conservação, mas que, nesta época do ano, já não há muito o que fazer, devido à seca em Goiás.

Postagens Recentes
Contato Comercial

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar