Abertura do Fórum das Águas destaca importância do recurso para cidades mais sustentáveis

 em Sustentabilidade

Especialistas em recursos hídricos do Brasil e exterior, representantes da sociedade civil e estudantes estiveram presentes nesta quarta-feira, 21 de outubro, no Teatro Inhotim, em Brumadinho (MG), para a abertura do Fórum das Águas – cidades sustentáveis e seus desafios.

Promovido pelo Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (Cibapar), o evento busca debater modelos exemplares e que deram certo em outros países, na perspectiva de aplicar nos municípios brasileiros. “A crise hídrica vivida atualmente no Sudeste brasileiro e as temperaturas recordes dos últimos dias no País nos fazem repensar o que temos feito com o meio ambiente. Precisamos adotar uma economia verde, com a adoção de energias renováveis, tratamento de resíduos sólidos e preservação de nossas florestas”, defendeu Breno Carone, presidente do Cibapar.

O gestor, que também é vice-prefeito de Brumadinho, lembrou que a Bacia do Rio Paraopeba fornece matéria-prima, alimentos e água para toda a região metropolitana de Belo Horizonte, mas que mesmo assim tem sido degradada ao longo dos anos por conta do lançamento inadequado de esgoto e uso desordenado do solo, o que demanda soluções do poder público a fim de assegurar os recursos naturais para as próximas gerações. “Estamos fazendo os Planos Municipais de Saneamento Básico dos 17 municípios que correspondem a bacia. Após a criação, junto com o MP, apoiaremos a implementação desses planos”, garantiu Carone.

Na sequência, o coordenador da Unesco para o programa Água nas Escolas, Igor Tameirão, destacou que não existe vida sem a água dos rios e mares. “Os romanos, há mais de dois mil anos, já consideravam os rios como sagrados. Devemos refletir sobre isso, porque hoje eles estão comprometidos.”

O representante da ONU observou também que a sustentabilidade deixou de ser coisa só de ambientalista, a exemplo do que muitos imaginavam, e que atualmente passou a ser questão de sobrevivência. “Hoje ela precisa estar na educação de base. Precisamos incutir esses temas em nossas crianças, porque daqui a 20 anos a consciência ambiental delas estará consolidada”, sugeriu.

Case de Nova York
Já na parte da tarde, o Fórum das Águas reservou como atração principal o professor e consultor americano Albert Appleton, ex-diretor da divisão de água e esgoto de Nova York – um dos principais responsáveis pela revolução de gestão hídrica que a megalópole promoveu a partir dos anos 1990.

O especialista relatou que os 8,2 milhões de habitantes de Nova York são abastecidos com água de excelente qualidade que não passa por nenhuma estação de tratamento. A água apenas clorada e fluoretada é escoada por gravidade através de tubulações que descem pelas encostas das montanhas de Catskill situadas a cerca de 200 km ao norte da cidade e a 1.200 m de altitude.

Parceria visionária
“Preservamos e conservamos os mananciais de abastecimento de água, graças a uma parceria pioneira entre o Departamento de Projetos Estratégicos de Nova York, fazendeiros e os proprietários de terra das pequenas propriedades agrícolas características das montanhas de Catskill”, lembrou Appleton.

A Prefeitura de Nova York adquiriu as terras no entorno das numerosas nascentes e reservatórios e faixas de matas ciliares ao longo dos cursos d’água. Em seguida, nomeou oficialmente os próprios fazendeiros da região de Catskill como os “guardiões da água”, remunerando-os pelos serviços ambientais prestados, além de implantar pequenas estações de tratamento de esgotos e de despejos oriundos das atividades agrícolas e pastoris locais.

“O resultado desta parceria é a produção de uma água límpida cristalina que é consumida pelos novaiorquinos in natura como água potável”, concluiu o ex-diretor da divisão de água e esgoto de Nova York, segundo o qual os problemas relacionados aos recursos hídricos são os mesmos em qualquer lugar do mundo e que a maioria das soluções já existe. “O que falta muitas vezes é um plano de ação estratégico para implementá-las”, acrescentou. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Cornell, houve adesão de 90% dos produtores e redução de 80% da poluição da água.

Cidades sustentáveis
Por sua vez, Gilberto Tiepolo, da organização não governamental The Nature Conservancy (TNC), apresentou os dados mais relevantes do estudo The Blue Water Blueprint, o qual alerta que as águas das grandes metrópoles, além de escassas, estão muitas vezes poluídas. “É importante lembrar que, ao contrário do que muitos pensam, a água não vem da torneira, e sim das bacias hidrográficas”, frisou.

O representante da TNC enfatizou que, em 15 anos, a previsão é que nossa demanda por água irá superar a oferta em 40%. “As cidades sustentáveis precisam de segurança hídrica, que dependem de conservação”, enfatizou. Tiepolo defendeu que o investimento em bacias hidrográficas é fundamental.

Já Márcia Casseb, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentou a Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis (Ices), que tem foco nas cidades de médio porte (100 mil a 2 milhões de habitantes) e busca torná-las mais resilientes aos impactos das mudanças climáticas, além de promover sua competitividade. “Não é possível mais tratar os problemas das cidades de forma setorial. As soluções são intersetoriais, até porque a sustentabilidade é uma questão integrada. Um dos grandes problemas de gestão nas cidades brasileiras é não trabalhar de forma intersetorial”, apontou.

Já Márcia Casseb, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentou a Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis (Ices), que tem foco nas cidades de médio porte (100 mil a 2 milhões de habitantes) e busca torná-las mais resilientes aos impactos das mudanças climáticas, além de promover sua competitividade. “Não é possível mais tratar os problemas das cidades de forma setorial. As soluções são intersetoriais, até porque a sustentabilidade é uma questão integrada. Um dos grandes problemas de gestão nas cidades brasileiras é não trabalhar de forma intersetorial”, apontou.

Para finalizar o primeiro dia de Fórum das Águas, o português Luis Catarino, da Intermoney, defendeu a criação de um sistema métrico simples, aplicável a todos e que crie indicadores moderados para que saibamos definir o que é de fato uma cidade sustentável.

Entre as medidas-base indispensáveis ele citou: Sistema de informação georreferenciada; Estudo do metabolismo urbano e da economia circular; Cadastro e mapeamento de tráfego, ruído, qualidade do ar, energia solar nas coberturas, patrimônio cultural, rede de saúde e serviços públicos; Criação de plataforma – Big Data – agregar e valorizar informação e gestão centralizada de compras públicas ambientalmente certificadas; Banda larga pública; Reestruturação do modelo de governança e promoção fiscal das energias renováveis.

O Fórum das Águas segue até sexta-feira (23), em Brumadinho (Inhotim).

via EcoD

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