Goiânia 26/11/2018
EditorialTurismo
24 de julho de 2018

Pirenópolis: turismo de experiência ou larga escala?

Por Marcelo Safadi

Um dos grandes debates no turismo lobal é justamente sobre o posicionamento do destino turísticos em relação ao mercado e suas consequências para os territórios e populações locais. Este posicionamento implicará em diversas decisões a serem tomadas pelos gestores e pelos empresários, numa divergência clara entre os empresários de grande porte e os empreendedores locais.

Numa primeira medida, todos preferem a prosperidade, ou seja, o crescimento da demanda e, consequentemente, o crescimento das estruturas e serviços no local, e a renda por consequência. Assim apoiamos sempre o crescimento da atividade turística, sem às vezes nos darmos conta de alguns condicionantes importantes no longo prazo. A divergência ocorre basicamente numa escolha entre o Turismo Temático ou o Turismo de Experiência.

O modelo americano do turismo impôs ao mercado uma série de novos modelos de negócio, sempre calçados na economia de escala. Destinos como Orlando, Las Vegas e outros optaram pela “produção” do atrativo, com tematização dos equipamentos e serviços. No turismo temático o turista opta por um atrativo que lhe propicie todos os serviços de maneira integrada.

Ocorre que o turismo temático, exige uma alta demanda para suportar os investimentos, e que por consequente remunere os investidores e proporcione preços competitivos. Estes grandes equipamentos promovem muitos empregos e trazem a sensação de prosperidade.

No outro caminho temos o turismo de experiência, um modelo mais europeu. O turista opta por viver algo que seja verdadeiro, o próprio local, a verdadeira história. Os exemplos são a Provence e Toscana, onde milhares de pequenos negócios se distribuem ao longo de rotas e caminhos.

Lá o turista opta por experiências gastronômicas, culturais e vivências locais. As casas são de verdade, os atendentes são locais e no meio destas estruturas alguns empreendimentos de médio porte se instalam, procurando um mínimo impacto local.

Hoje no Brasil temos alguns exemplos de turismo que estão definindo seus caminhos, e os impactos já estão aparecendo e as consequências também. Gramado iniciou sua trajetória em busca da experiência real, hoje já esta totalmente voltada à tematização dos parques e equipamentos. Como resultado, temos uma cidade engarrafada de veículos, comida pasteurizada e o início da perda de sua identidade original e as famílias locais já se sentem preteridos e incomodados com os destinos da cidade.

Bento Gonçalves optou pelo turismo de experiência, e ao percorrer os Caminhos de Pedra, ou o Vale dos Vinhedos o visitante tem uma experiência única, e as famílias locais são protagonistas e esbanjam prosperidade.

Em Goiás alguns destinos vivem momentos semelhantes, e Pirenópolis é um deles.  Ameaçada por uma enxurrada de empreendimentos imobiliários e turísticos de grande porte (grande porte para a cidade), alguns chegam até a sonhar com a instalação de cassinos. É preocupante para não dizer desastroso.

E neste momento a cidade, os moradores, os empresários devem decidir entre o turismo de experiência real ou o turismo de larga escala. Na verdade esta decisão já deveria estar tomada pelas condições físicas da região. Com a real falta d’água, energia e telefonia para atender a cidade hoje em dia, como receber novos empreendimentos, sejam turísticos ou residenciais?

Pirenópolis deve urgentemente estabilizar sua demanda, agregando valor ao turismo já ofertado. A produção rural começa a se destacar e a gastronomia de qualidade já é uma realidade. Não podemos apostar em maior volume do que o atual, afinal de contas a cidade já tem problemas de trânsito e água agora. Imagine se os grandes empreendimentos e loteamentos vierem a se instalar? Como ficará a qualidade de nosso turismo? Como continuaremos a atrair as pessoas para viver uma experiência original?

No Brasil temos que aprender a ser sérios com nossas cidades, e neste caso ser sério é definir modelos que sejam compatíveis com a capacidade de suporte ambiental e econômico. É melhor ter 20 destinos de qualidade, do que ter dois grandes destinos pasteurizados.

A política de desenvolvimento do turismo no Brasil deve ser pensada de maneira a garantir ao futuro, um turismo qualificado, de alta rentabilidade e baixo impacto. Não precisamos de parques temáticos, pois temáticos são nossos rios, nossas histórias e nossas comidas.

 

 

*Marcelo Safadi é arquiteto, urbanista e empresário no setor de turismo em Goiás

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