Goiânia 02/04/2019
Editorial
3 de setembro de 2015

Medo, preconceito e hipocrisia no debate sobre a participação da sociedade na gestão do país

Os debates em Goiás são a reprodução destas máximas

Por Marcelo Safadi

 

O Brasil continua um país continental. E continental é a distância entre a necessidade de um debate sério e a histeria em torno das iniciativas de gestão compartilhada, proposta por vários governos.

O Brasil tem medo. Medo de melhorar. Prefere manter seus métodos e sistemas de gestão pública, que estão a anos-luz da boa gestão. Prefere manter um estado aparelhado e ineficiente, ao invés de profissionais bem remunerados fazendo bem feito.

O Brasil tem preconceito com a própria sociedade. Muitos de nós falamos mal de políticos e dos funcionários públicos, mas quando se propõe algo na direção da gestão privada dos serviços sociais e infra-estrutura, repudiamos.

No Brasil a hipocrisia reina: o mesmo cara que acusa o Governo do Estado na gestão das OS em Hospitais e Educação, apoia os Conselhos Populares. Com um detalhe, não leu as propostas e as leis que regem as duas iniciativas.

Os debates em Goiás são a reprodução destas máximas. Ainda hoje critica-se a gestão dos Hospitais, mesmo sendo referência no Brasil em qualidade.

Alguns jornalistas insistem em ser contra, na linha do “não conheço e não gosto”, outros defendem o projeto por conveniência, mas o debate com argumentos é raro. Isto é um vexame!

O HUGO é hoje um destaque no atendimento de urgência. Tem uma equipe qualificada e médicos-professores interessados em ser autores de um projeto de referência. Já usei o serviço do HUGO por duas vezes e fui surpreendido em tudo. No atendimento da chegada, na espera por resultados e na forma do atendimento aos hospitalizados. Vale a pena ver de perto.

O CRER foi um dos primeiros exemplos e agora o Governo de Goiás faz o mesmo com os outros hospitais. Quem ainda não entendeu a melhoria é porque não conhece e torce contra.

Agora na educação, o mesmo dilema se instala. Uma histeria comanda a crítica. E por que não pensar diferente?

Todos os anos, as universidades aposentam milhares de doutores e mestres por tempo de serviço. Este exercito de pessoas qualificadas são descartadas socialmente. Na sociedade civil existem milhares de pais que querem ajudar as escolas de seus filhos. Na sociedade civil há milhares de pessoas sérias e bem intencionadas.

Não será possível a união destas pessoas em torno de projetos de gestão de escolas? Será que sempre teremos professores na direção de escolas, com enorme simpatia e nenhuma habilidade em gestão (as eleições não garantem qualidade em si, apenas a legitimidade)? Será que precisamos passar pela burocracia estatal para limpar os banheiros, comprar papel e fazer o dia a dia das escolas funcionarem?

Como quem critica não lê a proposta, vejo comentário inacreditáveis na web. São críticos sem o menor conhecimento. Mesmo afirmando categoricamente que os professores serão concursados e a gestão do ensino será feita pro profissionais do Estado, alguns insistem em dizer o contrário.

Já é hora de olharmos para o futuro do país de maneira diferente.

 

Se você discorda, acha que todo mundo é incompetente, monte sua Organização Social e participe dos concursos.

Os modelos precisam ser testados, sempre teremos pontos positivos e negativos, mas podemos afirmar com certeza que o modelo atual que o Brasil tem mantido é ineficiente, ineficaz e antigo.

A Secretária da Educação de Goiás, Raquel Teixeira, tinha ressalvas sobre o modelo de participação das OS’s, e ao invés de ficar lamentando, foi à luta, estudou e propôs um modelo muito coerente.

Este é um país de empreendedores e esta vocação precisa ser aproveitada na gestão. Os sindicatos e os líderes de classe podem se organizar em suas OS’s. Será legítimo que participem dos pleitos… temos mais de 1200 escolas em Goiás.

O problema é que os críticos mais contundentes da participação da sociedade na gestão das escolas não conseguem praticar suas teses em suas entidades. Fazem uma gestão pouco profissional no sindicatos, perpetuam no poder e reproduzem com excelência os mesmos conceitos praticados na CBF e na FIFA.

 

Temos de ter coragem para mudar e avançar, ou então ficaremos convivendo com este país velho e sem perspectivas de futuro.

Quem escreve

Deixe sua opnião aqui!

Editorial
 
Publicado em 24 de julho de 2018
Por Marcelo Safadi Um dos grandes debates no turismo lobal é justamente sobre o posicionamento do destino turísticos em relação ao mercado e suas consequências para os territórios e populações locais. Este posicionamento implicará em diversas decisões a serem tomadas pelos gestores e pelos empresários, numa divergência clara entre os empresários de grande porte e os empreendedores locais. Numa primeira medida, todos preferem a prosperidade, ou seja, o crescimento da demanda e, consequentemente, o crescimento das estruturas e serviços no local, e a renda por consequência. Assim apoiamos sempre o crescimento da atividade turística, sem às vezes nos darmos conta de
 
Publicado em 5 de julho de 2018
Marcelo Safadi    Estamos assistindo a um grande esforço global para compreender e suportar os movimentos migratórios para os países desenvolvidos. Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos se mobilizam e se mostram atônitos diante do dilema de criar políticas públicas e acordos multilaterais sobre a ética no acolhimento destas populações. Entre a agressividade Americana e o desconforto Alemão, estão milhões e habitantes do planeta acometidos por pobreza e conflitos locais. Entre bilhões de dólares, euros e libras investidos nas estruturas de apoio, ou na construção de muros e até mesmo em sistema de deportação, não se escuta sobre um centavo
 
Publicado em 18 de outubro de 2016
O Encontro Mundial Para Habitação e Cidades, HABITAT III,  que ocorreu em Quito – Equador, pode ter sido a última chance para reposicionar o mundo diante dos seus desafios urbanos. Com a população urbana global em 55%  e a brasileira em 88%, podemos afirmar que enfrentar os problemas urbanos é hoje a melhor estratégia para promover o bem-estar social no planeta, concatenando as questões ambientais e sociais. Esta é a opinião de diversos especialistas e políticos presentes ao HABITAT III. Os debates realizados no evento apontaram para uma situação alarmante de descumprimento de todas as agendas criadas pela ONU
 
Publicado em 12 de agosto de 2016
Durante muitos anos fui militante de causas no meu país. Fui revolucionário, lutei contra ditaduras, abracei a causa ambiental quando ela nem existia, iniciei o ecoturismo no Brasil, trabalhei com populações tradicionais, teatro, performances e design. Fui o que se chamava de vanguarda. Naquela época, a vanguarda não era uma exclusividade da academia e o intelectual não necessitava ser doutor, bastava um engajamento e um papo orientado sob a ótica da maravilhosa velha esquerda. Minhas causas eram patrocinadas pela minha vontade inequívoca de mudar o mundo, adicionada pelo prazer sutil de me sentir vanguardista, de me ver no front
 
Goiânia não tem dono, mas talvez seria bom se tivesse
 
O uso das bikes nas cidades é irreversível e só não vê quem não quer ou não tem boa intenção.
 
Publicado em 27 de julho de 2015
“Cada vez mais as pessoas estão conscientes de o que elas comem tem grande impacto na saúde delas e no meio ambiente.”
 
Publicado em 21 de julho de 2015
O combate às drogas não é uma iniciativa nova, mas se apresenta sempre como novidade.
 
Publicado em 26 de junho de 2015
Para a coordenadora do Fundo Verde da UFRJ, o objetivo do projeto é levar a ideia para o mundo real e implementá-la na cidade universitária.
 
Publicado em 1 de junho de 2015
Um debate sobre o que acreditamos ser as dez coisas que o Brasil precisa fazer para ser um país sustentável.
 
Publicado em 27 de Maio de 2015
O encontro decidiu sobre o factual: dia 20, o painel será retirado do edifício criado pelo renomado arquiteto .
 
Publicado em 20 de Maio de 2015
Até terça-feira o assunto ainda deve render online e off-line e além de charges hilárias.
 
Publicado em 20 de Maio de 2015
A polêmica sobre o painel do Centro Cultural Oscar Niemeyer, que recebeu a pintura do Bicicleta Sem Freio, tem nos servido como um ótimo instrumento para discutir as políticas públicas e a forma como a sociedade reage às intervenções governamentais.
 
Publicado em 17 de Março de 2015
Entrevista com Vicente Andreu, diretor-presidente da Agência Nacional de Águas A crise hídrica no país provoca reflexões na cabeça de qualquer cidadão. Entretanto, para as autoridades no assunto, as severas lições deste episódio precisam, com urgência, transformar-se em ações. Por este motivo, o Goiás +20 conversou em exclusiva com o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu. Ele explica que a crise chamou a atenção da população  e, por sua vez dos tomadores de opinião, para o tema. “A água não é um tema central de tomada de decisão nos estados. Quando se define prioridades e recursos, as
 
Publicado em 11 de Março de 2015
Por Roberta Brum Se ver livre dos lixões não é tarefa fácil, mas é o que o governador Marconi Perillo pretende. Segundo ele a intenção é transformar Goiás no primeiro Estado sem lixão no Brasil. “Sabemos que esta questão é de responsabilidade das prefeituras, mas pedi ajuda ao ministro para executarmos o projeto”, confirma. Ele se refere a duas recentes reuniões com o Ministro das Cidades Gilberto Kassab onde o assunto foi abordado. O Secretario de Meio Ambiente e Cidades, Vilmar Rocha explica a criação do programa Goiás sem Lixão e afirma que o mesmo vai reunir esforços nas
 
Publicado em 9 de Março de 2015
NOSSO PRIMEIRO EDITORIAL DE MARÇO NÃO PODERIA SER OUTRO: PENSEMOS SOBRE NOSSAS ÁGUAS ENQUANTO ELAS EXISTEM Por Marcelo Safadi A água sempre foi o bem mais precioso da sociedade, é parte integrante da vida, de sistemas ambientais, econômicos e sociais e compõe percentual significativo em todos os seres vivos. Entretanto sua presença no planeta não é uniforme no espaço ou no tempo. Assim, diferentes regiões – por razões hidrológicas, geográficas, geológicas, geomorfológicas, climáticas, entre outras – possuem recursos hídricos menos ou mais abundantes. Mas mesmo nessas, o regime das chuvas pode alterar sobremaneira a disponibilidade hídrica ao longo de
 
Some title Some author
Some excerpt
Publicado em 24 de julho de 2018
Por Marcelo Safadi Um dos grandes debates no turismo lobal é justamente sobre o posicionamento do destino turísticos em relação ao mercado e suas consequências para os territórios e populações locais. Este posicionamento implicará em diversas decisões a serem tomadas pelos gestores e pelos empresários, numa divergência clara entre os empresários de grande porte e os empreendedores locais. Numa primeira medida, todos preferem a prosperidade, ou seja, o crescimento da demanda e, consequentemente, o crescimento das estruturas e serviços no local, e a renda por consequência. Assim apoiamos sempre o crescimento da atividade turística, sem às vezes nos darmos conta de