Goiânia 01/04/2019
Editorial
20 de Maio de 2015

Frutos da Polêmica

Por Roberta Brum

Depois de uma semana de intensa discussão nas redes sociais e nos veículos de comunicação, ninguém parece mais aguentar falar no tema da instalação de painel dos designers goianos do Bicicleta sem Freio no Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON). Contactamos com alguns protagonistas do debate como a arquiteta Simone Borges à quem foi atribuída pelo jornal O Popular o inicio da polemica. “Tudo que tinha a dizer sobre o assunto já escrevi em minha página do face”, comentou negando se expor.

Falamos também com o Arquiteto Alexandre Perini que havia feito algumas declarações públicas sobre o assunto: “Eu agora só vou dar minha opinião no meio acadêmico”.

Até mesmo na enquete lançada hoje pelo nosso portal Goiás Mais 20, o leitor Clayton G. Saints‪ mostrou esgotamento : “ affz ate hj com isso” (sic).

O artista Renato Reno se apoiou na falta de tempo para não comentar o assunto.

Fred Adejar, arquiteto e ativo na discussão, acredita que o debate se desgastou, teve um quê de “briga” e acabou se deturpando do núcleo principal e abrindo outros questionamentos, como o das instalações do próprio CCON. “Tomara que este debate nos traga uma biblioteca”, desafiou. Ele explica que vê todo este processo positivo em vários aspectos principalmente na oportunidade (ou oportunismo) que se criou socialmente para discutir a função – e as limitações – do Centro.

Por mais que a sensação para muitos comece a ser de desgaste do tema a Secretária de Estado de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira só fará um pronunciamento oficial após o debate proposto por ela na terça-feira às 18 horas no Auditório Ligia Rassi no próprio CCON. Segundo a assessoria dela o acordo era de que a obra seria exposta por 30 dias e que o espaço seria devolvido em suas condições originais. Entretanto, dada a hipótese e discussões sobre a permanêcia da mesma, ela prefere ter uma decisão democrática sobre o assunto com participação de todos os interessados neste debate público.

Depois de tantos holofotes, não sabemos se a biblioteca – e demais pendências – virarão prioridade. Mas ao que tudo indica o diálogo e a democracia serão um dos ganhos do episódio; assim com a possibilidade de transformar o CCON em um palco para artistas locais. (Os próprios artistas do Bicicleta sem Freio foram reconhecidos mundialmente para só então ter um espaço como este “em casa”).

Com relação a essência da polêmica Fred Adejar relembra que instalações do mesmo tipo acontecem no mundo inteiro e são uma forma de mostrar que a cidade é viva e interage. “Porém tudo é feito sobre regras claras e um concelho que aprova ou desaprova cada ação”, esclarece.

Até terça-feira o assunto ainda deve render online e off-line e além de charges hilárias, Goiás vai ganhar – senão uma biblioteca – uma nova maneira de pensar arte, cultura e arquitetura graças a observação e ao post da arquiteta Simone. Ela, por sua vez, perguntada sobre a geração da grande discussão, disse a nossa equipe: “Não posso fazer esta afirmação. Para tal teria que fazer uma pesquisa; de quem foi a origen”. Em seu post original ela fez a seguinte reflexão: “Já pensou se em cada evento ‘cultural’ realizado no CCON for deixado algum tipo de obra a ser incorporada aos edifícios? Estas intervenções devem ser acrescentadas a obra de Oscar Niemeyer? Por quê? Estará agregando o quê?”

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