COMO ADENSAR E CRIAR ÁREAS PÚBLICAS? FAZENDO PARQUE NO TOPO DOS PRÉDIOS

 em Comportamento, Destaque

Estocolmo é uma das cidades com crescimento mais acelerado na Europa. As autoridades locais calculam que, em 2024, a capital sueca chegue a 2,6 milhões de habitantes, 17% a mais que hoje. Um desenvolvimento nesse nível acaba criando necessidade de se aproveitar melhor os espaços, ainda mais em uma metrópole tão retalhada por canais, que se orgulha de possuir muitas áreas verdes e sofre para lidar com as limitações impostas pelo inverno rigoroso. Por isso, o arquiteto Anders Berensson criou uma ousada proposta para adensar o espaço no centro e ainda criar espaço público: uma espécie de parque composto pelas lajes dos edifícios.

A ideia – batizada de Klarastaden, ou cidade clara – seria adotada em uma área nova, criada na orla do canal Barnhusviken e os lagos Karlbergs e Klara (que nada mais são que partes largas de um canal). É uma área central em Estocolmo, atualmente ocupada pelas linhas de trem que chegam à Estação Central. Berensson sugere que a linha se torne subterrânea, permitindo que o terreno acima dela seja ocupado com edifícios altos – se tornaria a região mais alta da capital sueca – e ajude a integrar os bairros ao norte e ao sul do canal.

Para que isso não se torne apenas mais uma área de exploração imobiliária, o arquiteto sugere que a ocupação desse novo bairro respeite parâmetros que permitissem a comunicação aérea entre eles. Assim, a diferença de altura não seria grande e eles ficariam próximos.

A partir daí, seriam feitas passarelas para pedestres entre a laje de cobertura de um edifício e outro, chamados no projeto de skywalks. Além disso, recuos estratégicos na fachada e o topo dos prédios criariam pequenas áreas verdes para o público. Esses novos empreendimentos teriam imóveis residenciais, comerciais e escritórios, criando 5,8 mil novos apartamentos no centro de Estocolmo. A valorização imobiliária também ajudaria a custear as obras na linha do trem. O site do escritório tem mais detalhes do projeto.

Uma ideia exótica, que talvez suscite dúvidas em relação a segurança nos edifícios (afinal, o topo deles se tornariam áreas públicas e qualquer um poderia, de alguma forma acessar sua cobertura) e ao uso desses espaços durante o inverno. De qualquer forma, não há perspectiva de ela sair do papel em curto prazo. A Klarastaden foi elaborada a pedido do Partido Central (centro-direita com uma agenda pró-desenvolvimento sustentável), mas a prefeita Karin Wanngård é do Partido Social-Democrata (centro-esquerda).

Em última instância, fica como mais uma proposta inusitada de Berensson. Seu escritório já criou projetos como um pedaço de parque flutuante para se fazer piquenique no rio, uma sauna dobrável e essa forma de moradia que não sabemos como definir. Nesse contexto, passarelas que ligam pequenos parques na cobertura de prédios parece algo bastante convencional.

Via Outra Cidade

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