Coletivo feminista Não é Não! lança campanha contra o assédio no Carnaval 2019

 em Agenda Cultural, Comportamento, Goiás

(Foto: Reprodução do Instagram) 

 

O assédio sexual contra as mulheres já é assunto de outros carnavais. Neste ano, entretanto, o coletivo feminista Não é Não! se esforça para que a história seja diferente. O grupo planeja uma campanha de conscientização inédita em Goiás em parceria com o Distrito Federal durante o feriado, com a distribuição de tatuagens falsas e a conscientização de foliões. Para isso, o coletivo lança sua segunda campanha de financiamento online A ideia é arrecadar dinheiro para confecção de tatuagens falsas com a mensagem “Não é Não!” e distribuí-las gratuitamente às mulheres em blocos, desfiles e estabelecimentos .

O movimento, que já está presente em outros seis estados, tem como objetivo dar visibilidade e combater o assédio sexual, de forma que as potenciais vítimas usem o próprio corpo como outdoor para espalhar a mensagem de respeito. Além de Goiás e do Distrito Federal, participam da Campanha Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Pará e Paraná, cada um com sua própria campanha de financiamento.

Até o momento, somando as nove campanhas, já foram arrecadados mais de R$ 67.221 (329% a mais que no ano passado), com a participação de mais de 1.116 pessoas. As campanhas que ainda estão abertas para colaboração são Bahia, Pernambuco, Pará e a campanha de Goiás e Distrito Federal. As campanhas de todos os estados estão no ar no canal do coletivo no site Benfeitoria (www.benfeitoria.com.br/canal/naoenao). A previsão é que sejam produzidas mais de 100.000 mil tatuagens.

Parcerias
Para 2019 o movimento já encontrou parceiros, e mais de 100 blocos de carnaval pelo país já declararam seu apoio. Em Goiânia, bares e blocos como Shiva alt-bar, Bloco Socialista, Coró de Pau, Lanchonete Ideal, Bloco Me Engole Que Eu Sou Jiló, Samba de Buteco e Bloco Não é Não já aderiram à iniciativa. Em Brasília, as parcerias também crescem: Essa boquinha eu já beijei, Cafuçu do Cerrado, Canteiro Central, Samba Urgente, Bloco Me Engole Que Eu Sou Jiló, Goiabada Cascão e Samba de Buteco.

Cada colaborador da campanha pode, além das tatuagens para o Carnaval, garantir outras recompensas. Em sua maioria, as recompensas são produzidas por empresas locais, gerenciadas por mulheres ou por empresas que tem como compromisso a responsabilidade social. O coletivo tem planos de ações durante o ano. “A meta final do projeto é ele parar de existir, parar de ser necessário. Eu aguardo o ano em que a gente se reúna para conversar em novembro e chegaremos a conclusão de que não precisamos mais fazer”, afirma Luka Campo, uma das criadoras da campanha.

Origem da campanha
Criada em janeiro de 2017 pelo grupo de amigas Aisha Jacob, Barbara Menchise, Julia Parucker, Luka Campos, Nandi Barbosa o movimento teve início após mais um abuso sofrido por uma delas em um samba durante o pré carnaval. Naquele ano foram mobilizadas 40 mulheres que se uniram na arrecadação de R$ 2.784 reais em apenas 48 horas, que foram usados para a confecção de 4 mil tatuagens, distribuídas gratuitamente pelas ruas da cidade do Rio, somente às mulheres.

Em seu segundo ano, o movimento extrapolou os limites do Rio de Janeiro e chegou a mais quatro estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Bahia, e agora Goiás e o Distrito Federal, tamanha a adesão das foliãs.

Dados alarmantes
Quando o assunto é assédio sexual e outros tipos de violência contra a mulher, os números são alarmantes. De acordo com o Mapa da Violência da ONU de 2015, o Brasil ocupa o 5º lugar na taxa de feminicídio no mundo.

O Estado de Goiás dá uma contribuição de peso para o dado: é o 5º estado brasileiro com o maior número de feminicídios, com crescimento de 82% entre 2016 e 2017. Apenas em Goiânia, o aumento foi de 52% no número de feminicídios entre 2003 e 2013.

Já no Distrito Federal, que tem segundo maior percentual de mulheres na população do país – 52,19% – autoridades públicas e privadas tentam se mobilizar para entender e conter o crescimento acelerado de feminicídios que tomam conta da capital. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP), as mulheres vítimas de feminicídio no DF, tem em média 36,2 anos, apontando a área administrativa de Ceilândia com o maior número absoluto de casos, seguido por Samambaia, Brasília, Gama e Santa Maria. Entre 2015 e 2018 foram registrados 60 feminicídios e 136 tentativas, apenas em uma dessas áreas. 85% dos crimes ocorreram dentro de casa. Em 2018, o TJDFT recebeu 9.459 pedidos de medidas protetivas, dos quais apenas 4.964 foram concedidas.

O caminho para o respeito e liberdade é longo, e goianas e brasilienses se unem cada vez mais em busca de proteção e apoio, formando uma rede de força feminina Brasil afora, e o Não é Não chega pra somar uma oportunidade de grande potência ao movimento.

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